24 de agosto de 2013

Dissecando uma câmera compacta: onde estão o obturador e a abertura?

Você certamente já ouviu falar bastante sobre obturador e controle de abertura aqui no @BlogLuzVisivel. Mas você já viu esses elementos da sua câmera?

Em uma câmera do tipo dSLR, o obturador é composto por duas cortinas no corpo da câmera que expõem ou escondem o sensor de captura. Já o controle de abertura é realizado através de um dispositivo na lente que regula o vão por onde a luz passa até chegar ao obturador. Mas como isso funciona numa câmera compacta, em que a lente é fixa e os componentes são todos miniaturizados?

Câmera compacta aberta e sem o monitor de LCD (display). Do lado direito, marcado em vermelho, está o sensor de captura de imagem.
Ao abrir uma câmera compacta, o primeiro elemento que ficará exposto é a tela de LCD (display). Ao removê-lo, você terá acesso ao componente principal da câmera, que é o módulo de captura de imagem. Esse módulo, devidamente selado, contém todos os elementos do processo de captura: a lente, o controle de abertura, o obturador e o sensor de captura.

Módulo de captura. Do lado esquerdo, o detalhe do interior do módulo e da peça que funciona como obturador e controle de abertura.

Ao contrário do que ocorre nas câmeras dSLR, se você abrir esse módulo, irá perceber que o controle de abertura e o obturador estão presentes em uma única peça. Além disso, no exemplo das fotos a seguir, existem apenas duas possibilidades de abertura: uma mais aberta e outra mais fechada. E para cada uma dessas opções, é possível liberar ou impedir completamente a passagem da luz. Ou seja, a câmera seleciona o tamanho da abertura e depois libera/impede a passagem da luz para controlar a velocidade do obturador.


Note que as possibilidades aqui são bem mais restritas do que numa lente para câmeras dSLR, em que é possível escolher entre vários tamanhos de abertura e, portanto, várias profundidades de campo. Essa vantagem, além de outras como o maior tamanho do sensor de captura, faz parte do rol de qualidades que atraem fotógrafos profissionais para as câmeras dSLR.

Gostou da curiosidade? Deixe seu comentário e boas fotos!

Um agradecimento a V. Malheiros, que forneceu gratuitamente a sua câmera compacta para a produção deste artigo.

18 de agosto de 2013

O que eu não sabia sobre o flash - parte 5

Este é o último artigo desse loooongo estudo em 5 partes sobre o flash. No artigo de hoje vamos mostrar como resolver um problema de fotos com flash quando o tema está em movimento.

Quando observamos um objeto em deslocamento muito rápido a olho nu, é comum vermos o objeto seguido de um borrado por onde ele já passou. Porém, quando o fotografamos com flash, esse borrado se apresenta antes do objeto, dando a impressão de que o movimento é no sentido contrário. Não... não é magia e nem feitiçaria! Isso realmente ocorre e tem uma explicação muito simples. Veja a foto abaixo...

Exposição: 0,3s f/4 ISO 200. Foto com flash em modo normal. A seta indica que, aparentemente, o movimento da pista é no sentido horário. Porém, o sentido real do movimento é anti-horário, conforme pode ser observado na próxima foto.

Apesar do que se possa imaginar, a pista na foto acima se movimentava no sentido anti-horário, e não no sentido horário.

O que ocorre é que, como já vimos em um artigo anterior desse estudo, o flash é lançado no início da exposição, mas o sensor continua captando luz ambiente até que o obturador se feche. Quando a luz do flash é lançada, o objeto está na posição inicial (onde o objeto está mais nítido na imagem). Após a luz do flash acabar, o sensor continua captando luz ambiente e registra as posições seguintes como um borrado na frente do objeto (para onde o objeto está se deslocando).

Rear Curtain Sync

A solução para esse problema é bastante simples e se chama Rear Curtain Sync. Essa é uma opção disponível na maioria dos flashes manuais e que inverte o momento do disparo do flash. Ou seja, ao invés de ser acionado logo quando o obturador se abre, ele é ativado logo antes deste se fechar.

Exposição: 0,3s f/4 ISO 200. Foto com flash em modo Rear Curtain Sync. A seta indica que, aparentemente, o movimento da pista é no sentido anti-horário. E é exatamente este o sentido do movimento real.

Essa simples modificação é capaz de resolver o problema, visto que agora a luz ambiente é inicialmente captada pelo sensor, registrando o deslocamento do objeto, e, por fim, o flash é disparado para registrar claramente a posição final do objeto. Dessa forma, o borrado aparece seguindo o objeto, e não mais antes dele, ou seja, exatamente como seria observado a olho nu.

E você? Já registrou uma foto com flash de um objeto em movimento que se deslocava em um sentido mas que na foto parecia se deslocar no sentido oposto? Curta essa página ou deixe seu comentário a seguir!

10 de agosto de 2013

O que eu não sabia sobre o flash - parte 4

Este é o quarto artigo do nosso estudo sobre o flash. No terceiro artigo da série, apresentamos o Flash Exposure Lock (FEL) e a restrição da velocidade do obturador quando se usa o flash (Flash Sync Speed). Como vimos, o Flash Sync Speed é um limitador que pode incomodar, principalmente em situações de muita luz e nas quais se quer eliminar a luz ambiente para utilizar o flash como luz principal. Mas como contornar essa limitação?

Flash High Sync Speed

A maioria das câmeras manuais e flashes externos modernos possui suporte ao que se chama Flash High Sync Speed. Em geral, essa opção pode ser acionada diretamente no flash externo e, se suportada também pela câmera, permitirá que seja configurada uma velocidade de obturador maior do que a Flash Sync Speed (1/200s ou 1/250s, na maioria das câmeras).

O que acontece com essa opção é que o flash passa a funcionar como uma luz contínua, ou seja, ele é acionado antes do obturador abrir e permanece emitindo luz até que o obturador se feche completamente. É claro que isso ocorre num intervalo de tempo muito curto, mas, na prática, é como se uma luminária fosse ativada antes da foto e desligada depois dela. Dessa forma, como a luz estará presente durante toda a exposição do sensor, toda a cena será igualmente exposta à luz do flash.

Mas tudo isso tem um preço. Existem pelo menos três questões que devem ser consideradas ao usar Flash High Sync Speed.

Menos luz

Ao usar essa opção, geralmente se consegue 1 stop de luz a menos do que se conseguiria utilizando o flash em modo padrão.

Foto com flash em modo normal. Exposição: 1/160s f/4 ISO 200.

Foto com flash em modo normal. Exposição: 1/200s f/4 ISO 200.

Foto com flash em modo High Sync Speed. Exposição: 1/250s f/4 ISO 200. Note como a luz foi muito reduzida em relação às anteriores devido à mudança do modo de flash para High Sync Speed.

O movimento não pára

Como a luz é contínua, o efeito de congelamento do movimento normalmente obtido com o uso do flash não está presente com o High Sync Speed. Por outro lado, o uso de uma alta velocidade do obturador por si só já tende a congelar qualquer movimento.

Exposição: 0,3s f/4 ISO 200. O movimento dos carros girando foi registrado devido à baixa velocidade do obturador, mesmo com o uso do flash.

Exposição: 1/200s f/4 ISO 200. Os carros foram completamente congelados devido à velocidade de obturador mais rápida e ao uso do flash.

Exposição: 1/250s f/4 ISO 200. O movimento dos carros foi levemente registrado novamente, mesmo com a velocidade do obturador ainda mais rápida do que na foto anterior. Isso acontece porque o flash agora está em modo High Sync Speed, em que se torna uma luz contínua e não congela o movimento.

Maior consumo de bateria

Como o flash vai ser acionado por um tempo maior, a bateria do flash será consumida mais rapidamente. Porém, o simples fato de deixar o High Sync Speed ativo não quer dizer que o flash será sempre contínuo. Ele só será contínuo quando a velocidade do obturador for superior à Flash Sync Speed, o que significa que você pode deixar essa opção ativa a todo momento.

E você!? Já usou High Sync Speed? Conte-nos sua experiência ou tire suas dúvidas deixando seu comentário aqui ou nas nossas redes sociais. Boas fotos!