29 de junho de 2013

RAW vs. JPEG: o que você poderia não saber?

Olá, pessoal! Sejam bem-vindos para aprender um pouco mais sobre fotografia digital aqui no @BlogLuzVisivel. Muito obrigado pela sua participação! O tema de hoje é bastante polêmico e, por isso, vou tentar mantê-lo apenas no campo técnico.

Uma dúvida recorrente quando se começa a fotografar com uma câmera do tipo dSLR (usada por muitos fotógrafos profissionais) é se você deve ou não usar o tipo de arquivo RAW ao invés do tradicional JPEG. Câmeras compactas normalmente não apresentam essa opção, por isso, essa questão não fazia sentido. Porém, a maioria das câmeras dSLR oferece três possibilidades: registrar apenas em JPEG, apenas em RAW ou registrar duas cópias da imagem, sendo uma em JPEG e outra em RAW.

Maior tamanho dos arquivos 

A primeira grande diferença entre estas opções é o espaço necessário para armazenar as fotos. Um arquivo RAW pode ter facilmente o dobro do tamanho do correspondente em JPEG. Isso significa que você precisa estar preparado com cartões de memória extras e discos rígidos de backup de grande capacidade.

Menos fotos sequenciais por segundo

Outra diferença está na quantidade de fotos sequenciais por segundo que a câmera irá conseguir registrar. Se estiver trabalhando com RAW, provavelmente esse número será menor, visto que o arquivo é maior e portanto levará mais tempo e consumirá mais memória da câmera para registrar. Mas se você não for registrar várias fotos seguidas, essa questão tem pouca relevância.

Mais difícil de visualizar/manipular

Além dessas questões, o arquivo RAW também não pode ser aberto/visualizado em qualquer software de imagem. Isto porque o formato RAW não é padronizado, ou seja, cada fabricante implementa o seu. Assim, pode ser necessário instalar algum software adicional no computador que vai ser utilizado para abrir esse tipo de imagem.

Muito bem! Esses foram os pontos negativos. Agora vamos aos positivos.

Maior gama de cores

O arquivo RAW normalmente tem pelo menos 12 bits para cada canal de cor (vermelho, verde e azul), enquanto que um JPEG tem apenas 8 bits. Isso significa que a paleta de cores no RAW é 16 vezes maior, representando cores mais fiéis à realidade.

Sem perda de informações

O arquivo RAW é um arquivo sem compressão, ao contrário do JPEG, que comprime as informações da foto de forma destrutiva. Isso significa que o simples fato de salvar uma imagem em JPEG causa perda de informações; o que é péssimo, principalmente se você for fazer ajustes na imagem em um software de edição.

Sem pré-configurações de cor, brilho, contraste, nitidez e balanço de branço

A imagem em RAW é uma cópia digital dos valores brutos capturados pelo sensor da câmera, usando como parâmetro de ajuste apenas a configuração do ISO. Isto significa que não há nenhum processamento da imagem, nem para ajuste de nitidez, brilho, contraste ou balanço de branco. Isso lhe dá mais liberdade para aplicar essas configurações de forma muito pessoal e especificamente para cada foto registrada. Por outro lado, requer algum tempo de edição da foto, o que é chamado de pós-processamento.

Então, quando devo usar um ou outro? A minha sugestão é que você deve avaliar as vantagens e desvantagens de cada um e escolher de acordo com a situação específica. Uma dica é começar fotografando em JPEG + RAW e editar o RAW até que o resultado obtido seja melhor do que o correspondente original em JPEG. Assim, as vantagens de fotografar em RAW ficarão bem evidentes.

Após a edição da foto em RAW, você terá que gerar um JPEG final, uma única vez, para enviar para impressão, compartilhar ou realizar backup. A maioria dos laboratórios de impressão e dos serviços de compartilhamento na internet não trabalha com formato RAW. E, por ser um formato proprietário, o RAW também não é recomendado para backup, visto que ele pode mudar ao longo do tempo e não ser mais possível abri-lo no futuro. Ou seja, faça backup dos arquivos JPEG, principalmente!

Detalhe de uma foto registrada em JPEG pela câmera. Compare com a imagem abaixo e perceba como é possível ajustar as cores para que fiquem mais próximas da realidade. Observe principalmente a diferença na tonalidade de verde da camisa da criança e as cores da camisa do adulto.
Detalhe de uma foto registrada em RAW pela câmera e pós-processada com ajustes de cor, contraste e nitidez. A intenção foi de aproximar mais os tons de cor da realidade.

Gostou desse estudo? Compartilhe em sua rede social favorita usando os links no menu superior à esquerda. Ficamos por aqui. Até a próxima e boas fotos!

17 de junho de 2013

Balanço de branco

Olá, pessoal! O @BlogLuzVisivel está de volta com mais um artigo sobre fotografia digital. Após finalizar nosso estudo sobre os modos de exposição, trazemos para vocês um artigo sobre um tema muito interessante: o balanço de branco.

O balanço de branco, ou white balance, é uma configuração da câmera que permite ajustar a tonalidade das cores de acordo com o tipo de luz que ilumina a cena. Isso é necessário porque dependendo da tonalidade da luz ambiente, as cores da cena podem mudar consideravelmente.

Por exemplo, sob luz incandescente, as cores tendem a ficar amareladas. Por outro lado, uma luz fluorescente tende a deixar o branco e demais cores mais azuladas. A luz do Sol, ao meio-dia, também tem um aspecto levemente azulado.

Devido a todas essas possibilidades, é extremamente importante ajustar corretamente o balanço de branco. O ajuste correto desse parâmetro deve compensar o desvio de tonalidade causado pelo tipo de luz e produzir uma imagem com cores fiéis à realidade.

Opções de configuração do balanço de branco em uma câmera Canon.

O balanço de branco pode ser ajustado para uma configuração pré-definida, como balanço automático (AWB), luz do dia, incandescente, fluorescente, nublado, sombra e flash, por exemplo. Cada um desses modos, exceto o balanço automático, deve ser usado quando a luz principal corresponde ao nome da configuração. Ou seja, quando se está na sombra ou em um dia nublado, deve ser usado o modo sombra ou o modo nublado, respectivamente.

Foto com tonalidade avermelhada ou amarelada pelo uso de um balanço de branco incorreto. Neste caso, foi selecionado o balanço de branco Sombra (Shade) sob luz do dia.

Foto com tonalidade azulada pelo uso de um balanço de branco incorreto. Neste caso, foi selecionado o balanço de branco Tungstênio/Incandescente (Tungsten) sob luz do dia.

O modo automático procura "adivinhar" o tipo de luz na cena e ajusta automaticamente o balanço de branco a cada foto. Esse modo costuma funcionar razoavelmente bem em diversas situações, mas com certeza deixa a desejar em muitas outras. Portanto, sempre verifique o resultado na câmera e, se necessário, faça um ajuste diferente.

Existe também a possibilidade de configurar o balanço de branco manualmente (balanço personalizado). Nesse modo, é previamente registrada uma foto de uma superfície 18% cinza sob a luz ambiente e esta foto será usada pela câmera como referência para o ajuste do balanço de branco das fotos seguintes. Este modo é o mais preciso, porém requer um pouco mais de tempo e uma superfície 18% cinza para a configuração inicial.

Foto com tonalidade fiel à realidade pelo uso correto de um balanço de branco personalizado. Uma foto do tecido branco foi registrada previamente e utilizada como referência para esta foto.

Felizmente, com a fotografia digital e a evolução dos programas de edição de imagens, não é mais tão necessário se preocupar com este parâmetro antes de fotografar. Recomendo, por exemplo, que se utilize um balanço fixo, como o modo luz do dia ou nublado, por exemplo, e que o ajuste fino de balanço de branco seja feito posteriormente, no programa de edição. Para um melhor resultado, recomendo fotografar em formato RAW nesse caso, visto que este possui uma maior gama de cores e, ao contrário do JPEG, não irá perder informações com um novo salvamento do arquivo.

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2 de junho de 2013

Modos de exposição - parte 1

Oi pessoal! Estamos de volta para mais um estudo do @BlogLuzVisivel sobre fotografia digital. O tema de hoje são os Modos de Exposição. Esse estudo foi dividido em 2 artigos para facilitar o entendimento e não sobrecarregá-lo de informações. Vamos lá!

Os modos de exposição são opções de configuração da câmera que definem como será ajustada a exposição das fotos. Essas opções vão do mais automático ao completamente manual, passando por alguns modos semi-automáticos que fazem uso dos recursos da máquina mas também requerem algumas habilidades do fotógrafo.

O primeiro modo de exposição é muito conhecido porque está presente em todas as câmeras, desde as compactas até as profissionais: o modo automático. O modo automático (A) não exige nenhuma grande habilidade do fotógrafo no que diz respeito à exposição, visto que o trabalho duro é realizado pela câmera. Mais precisamente, o fotômetro da câmera faz a leitura da luminosidade da cena e a câmera ajusta obturador, diafragma, ISO e flash para expor a foto. O resultado é aquele que a câmera decidiu entregar, mas não necessariamente aquilo que você gostaria que fosse.

Configuração do modo Automático (A).
Modo Automático (A): 1/60s f/5.6 ISO 400 com flash disparado automaticamente pela câmera. O disparo do flash preencheu as sombras no tecido sobre o qual o tema repousa e também mudou sua tonalidade de amarelada para branco. Além disso, a abertura f/5.6 desfocou levemente a bola amarela.
No outro extremo está o modo manual (M), no qual toda a responsabilidade da exposição da foto recai sobre o fotógrafo. Este é responsável pela configuração de obturador, diafragma, ISO e flash para entregar o resultado que ele quer. Esse modo requer prática e é muito indicado para quem quer aprender a usar os recursos de exposição da câmera e fazer fotos mais artísticas.

Configuração do modo Manual (M).
Modo Manual (M): 1/50s f/8 ISO 400 sem flash. Sem o flash, algumas sombras aparecem no tecido sobre o qual o tema repousa e a tonalidade amarelada do tecido se torna mais evidente. O uso da abertura f/8, porém, deixou todas as bolas em foco.
Entre esses extremos estão os modos Programa (P), Prioridade de Obturador (Tv), Prioridade de Abertura (Av) e Prioridade de Profundidade de Campo (A-DEP).

O modo Programa (P) pode ajustar obturador, diafragma e ISO, mas deixa a decisão de usar ou não o flash para o fotógrafo. Assim, ele é muito parecido com o modo automático, embora o resultado da foto possa ser mais controlado. Assim como no modo automático, objetos muito claros ou muito escuros podem não aparecer na foto com a tonalidade esperada. Este modo é mais recomendado para fotos casuais em que se tenha pouco tempo para realizar um ajuste fino da exposição ou em situações de pouca iluminação mas em que se quer ter controle sobre o flash.

Configuração do modo Programa (P).
Modo Programa (P): 1/60s f/5 ISO 250 sem flash. Sem o flash, novamente as sombras no tecido aparecem, junto com a sua tonalidade amarelada. O uso da abertura f/5 aqui também desfoca a bola amarela.
Modo Programa (P): 1/60s f/5 ISO 400 com flash ativado manualmente. Com o uso do flash, o tecido se torna branco e as sombras são preenchidas. Porém, em comparação com a foto do modo Automático (A), percebe-se que esta foto está levemente superexposta devido ao uso de um ISO maior (ISO 400). A bola amarela continua desfocada pelo uso da abertura f/5.
É importante ressaltar que o modo de exposição escolhido pelo fotógrafo não é mais importante do que o resultado obtido. Assim, desde que a foto seja apreciada, não importa em que modo ela foi registrada. Eu, particularmente, gosto muito de fazer fotos no modo manual. Porém, inicialmente isso pode requerer um pouco mais de tempo para configurar o equipamento e até algumas fotos de teste antes de começar a registrar de verdade. A dica é: experimente!

No próximo artigo continuaremos esse estudo e falaremos sobre os outros modos de exposição. Siga-nos no Twitter ou Facebook e até lá!