11 de dezembro de 2013

10 dicas de como se preparar para um ensaio de gestante

Nesses últimos dias temos nos dedicado à realização de alguns ensaios fotográficos de gestante. Por isso, gostaria de compartilhar com vocês um pouco dessa experiência. Nessa postagem vamos falar sobre a preparação para um ensaio de gestante e dar algumas dicas sobre o que fazer e o que evitar. 

Dica #1

A primeira dica é definir a data com antecedência e em acordo com o casal.fazEm geral, você deve realizar o ensaio no sétimo mês da gravidez, quando a barriga já está bem evidente mas a gestante ainda não está inchada e cansada. 

Dica #2

Sempre verifique a previsão do tempo, mas não confie nela cegamente. Além disso, considere a possibilidade de um ensaio sob tempo nublado, o que irá produzir uma luz suave e ressaltar as cores da cena. 

Dica #3

O melhor horário é começar em até 2 horas antes do pôr-do-sol para evitar que o ensaio fique cansativo. O ensaio também pode ser bem cedo da manhã, mas você corre o risco de ter um casal sonolento e atrasado. A luz nesses horários é mais suave e vai lhe render uma boa iluminação.

Dica #4

O local é outra decisão importante e deve ser consensual entre você e o casal. Apresente as opções e deixe o casal decidir para evitar decepções. Verifique se é um local público ou privado, muito ou pouco movimentado, e se há taxas a pagar. Alguns locais cobram pela realização de ensaios fotográficos. 

Dica #5

Verifique também se a posição do pôr-do-sol na data prevista é propícia ou se o sol irá se pôr atrás de edifícios ou na direção de um estacionamento, por exemplo. Isso influenciará o plano de fundo de suas fotos, principalmente se quiser fazer fotos de silhueta. Para isso, você pode usar um aplicativo como o The Photographer's Ephemeris.

Dica #6

Aproveite para repassar ao casal algumas sugestões de poses e de objetos para utilizar nas fotos. Pergunte se o casal deseja alguma foto específica e use isso na composição do ensaio. Quanto aos objetos e adereços, sugira levar roupinhas do bebê e varal para estendê-las, sapatinhos e/ou brincos, brinquedos, balões com gás hélio, bolhas de sabão, nome do bebê em madeira ou cartolina, buquê de rosas ou flores a gosto, fita para fazer laço na barriga, tapete de plástico ou borracha para estender sobre a grama, alguma identidade dos pais (como violão, por exemplo), entre outros. 

Dica #7

Peça ao casal para usar roupas leves e de cores neutras, como branco e preto, a fim de ressaltar a barriga (evite roupas estampadas). Além disso, a maquiagem deve ser preferencialmente suave e o uso de relógios ou pulseiras deve ser evitado para não chamar muita atenção. Uma boa sugestão é pedir para a gestante levar uma sapatilha baixa e fechada para algumas fotos e um top para fotos só da barriga. Repelente, água e comida também podem ser essenciais dependendo de onde será realizado o ensaio. 

Dica #8

Tenha em mente uma dinâmica para o ensaio, criando uma sequência para a sessão de fotos que seja interessante e pouco cansativa para o casal (em especial para a gestante). Porém, tenha também um plano B para o caso de as coisas não acontecerem como previsto (uma chuva torrencial inesperada ou um bloqueio no acesso ao local do evento, por exemplo). O plano B pode ser simples como ter a opção de um ambiente fechado (como o quarto do bebê, por exemplo). 

Dica #9

Escolha e prepare o equipamento fotográfico e o material de apoio com antecedência (refletor, flashes, baterias, tripé, escada, squeeze de água, alarme, repelente, pára-sol, lentes, mochila, ...). Um dia antes do ensaio, separe todo o material, ajuste o alarme do relógio e carregue as baterias. 

Dica #10

Descreva todos os detalhes do evento em um contrato, incluindo dados do casal e do fotógrafo, data, local e horário do evento, o que será entregue como produto do ensaio e o prazo para tal, o valor a ser pago e a forma de pagamento, e o termo de cessão de uso das imagens pelo fotógrafo para portfólio e fins educativos, quando for o caso. O contrato deve estar assinado antes do dia do ensaio para resguardar todos os envolvidos.

Gostou das dicas? Tem mais alguma? Aproveite para comentar e visite o nosso porftólio (no topo da página) para conhecer alguns de nossos ensaios de gestante.

22 de novembro de 2013

Que tal um formato diferente para suas fotos?

Se não fosse a lixeira colorida no canto, aquela foto seria maravilhosa! Ou se não fossem essas pessoas no fundo... E esse espaço vazio desnecessário ao redor do tema!?

Essas são situações comuns com que nos deparamos ao rever algumas fotos. Parece que faltou muito pouco para conseguir A imagem. 

Se você já passou por isso, acredite: todo fotógrafo profissional passa por isso em maior ou menor grau. Mas a boa notícia é que corrigir esse erro é muito fácil e você DEVE fazê-lo, assim como todo bom fotógrafo.

Aspect Ratio (Formato da Imagem) e Cropping (Recorte)

Aspect Ratio nada mais é do que a relação entre as dimensões horizontal e vertical da imagem. Por exemplo, uma imagem de 1920×1080 (Full HD), possui 1920 pixels em uma dimensão e 1080 pixels na outra. O Aspect Ratio dessa imagem é a relação 1920:1080, que simplificada por 120 é o mesmo que 16:9. Esse é o Aspect Ratio da maioria das telas chamadas widescreen.


Na fotografia, porém, a maioria dos sensores de captura das câmeras e das dimensões comuns de papel para impressão de fotos possui um Aspect Ratio de 3:2. Basta observar os tamanhos mais comuns de impressão, como 15×10cm ou 30x20cm, por exemplo, que possuem ambos o formato 3:2, se simplificados.


Mas o fato de o Aspect Ratio 3:2 ser o formato mais natural para fotos, isto não deve ser um limitador para sua criatividade. Assim, outro formato também bastante interessante para fotos é o Aspect Ratio 1:1 (quadrado). Algumas fotos ficam até mais atrativas no padrão 1:1 do que no formato 3:2.


Você pode ajustar o Aspect Ratio diretamente na câmera, mudando o Aspect Ratio antes da foto, ou no pós-processamento, fazendo um recorte (cropping) para outro formato depois da foto. Em ambos os casos, esse ajuste pode ser utilizado tanto para fazer uma composição diferente como para remover conteúdo indesejado da cena.

Não tenha receio! Mude o Aspect Ratio ou faça um recorte sempre que observar uma oportunidade de melhorar a sua foto com um formato mais adequado ao tema ou à forma de apresentação. Depois da primeira experiência, você vai perceber como isso é importante para a qualidade das suas fotos. 

Boas fotos!!

18 de outubro de 2013

De quantos megapixels eu realmente preciso?

Há pouco tempo, havia uma corrida entre os fabricantes de câmeras compactas para vender megapixels. Ou seja, a cada mês, eram lançados novos modelos cuja principal divulgação era a quantidade de megapixels da imagem. 

O resultado positivo é que isso acabou por popularizar as câmeras compactas com resoluções de imagem de até 20Megapixels. Por outro lado, criou uma concepção errada nos consumidores de que qualidade depende de resolução. E felizmente, não é bem assim!

Um filme Full HD em Blu-ray, por exemplo, tem uma imagem considerada de alta qualidade, mas sua resolução é de aproximadamente 2MPixels (1920x1080). Isso mesmo! Provavelmente 1 décimo da resolução de uma imagem registrada em sua câmera compacta.

Então para que tantos megapixels na minha foto?

Resolução da imagem em megapixels

De forma bastante simplista, a quantidade de pixels de uma imagem é importante: dependendo do tamanho e da mídia de publicação e também para permitir cortes no pós-processamento.

Para reproduzir uma imagem em um outdoor de alguns metros de área, é essencial que você tenha em mãos uma imagem com muitos megapixels. Senão, a densidade de pixels (quantidade de pixels em uma área) será pequena e, assim, será possível ver os pixels da imagem se observada de perto. Mas se você vai imprimir a imagem em um papel de 10x15cm, a resolução pode ser bem menor, visto que a área de impressão também é muito menor. A regra básica é ter uma densidade de pixels mínima para impressão em papel de 300 pontos por polegada (dpi). Ou seja, para uma impressão 10x15cm (ou 3,94x5,9polegadas), teríamos no mínimo 1182x1770 (multiplicando as polegadas por 300). Ou seja, 2,09MPixels são suficientes. Essa densidade mínima depende da mídia de publicação, podendo ser de apenas 72dpi para publicação na web ou podendo chegar a 600dpi se a impressão for feita em um banner ou outdoor.

A resolução em megapixels é a quantidade de pixels na altura multiplicada pela quantidade de pixels na largura da imagem dividida por 1 milhão. Assim, uma resolução de 1.920x1.080 = 2.073.600 / 1.000.000 = 2,0736MPixels.

O outro ponto em que a resolução faz toda a diferença é a edição da imagem durante o pós-processamento. É importante ter a flexibilidade de poder cortar a sua imagem para eliminar conteúdo indesejado. Porém, se você faz um corte em uma imagem de poucos megapixels (baixa resolução), você terá uma imagem ainda menor e, portanto, mais difícil de ser publicada com uma qualidade adequada. Por outro lado, quando a imagem tem muitos megapixels, você tem mais liberdade para eliminar conteúdo sem medo de diminuir muito a sua resolução.



Então, o que faz a diferença na qualidade da imagem registrada é...?

Existem vários fatores que influenciam a qualidade da imagem, mas os principais são a qualidade do sensor de captura e da lente. Esses elementos têm papel fundamental na qualidade da imagem final. Por isso, antes de decidir sobre sua próxima câmera, conheça um pouco mais sobre esses elementos e tome sua decisão com base nas informações certas.

Boas compras!

14 de outubro de 2013

Pior que perder O momento é perder UMA foto!

Você já passou pela experiência de perder um documento importante e não conseguir mais recuperá-lo? Se sim, você não está sozinho. Se não, acredite: é muito provável que isso irá acontecer com você também!

Chegar em casa após uma viagem de férias maravilhosa e descobrir que o cartão de memória está vazio; ou inserir o cartão no computador e apagar acidentalmente todas as suas fotos antes mesmo de vê-las pela primeira vez... Estes são alguns exemplos bastante comuns no dia-a-dia, mas que podem ser evitados com medidas muito simples.

Backup

Basicamente, backup é uma segunda cópia de um arquivo armazenada em local distinto da primeira para fins de segurança contra perdas. Na prática, um backup de uma foto poderia ser uma cópia armazenada em um HD externo, enquanto a original está armazenada no computador, por exemplo. 

Tecnicamente, você poderia ter um backup armazenado em um pendrive. Porém, recomenda-se que cópias de segurança sejam armazenadas em locais menos propícios a perdas e com vida útil longa. O pendrive é prático para levar e trazer no dia-a-dia e, por isso, muito sujeito a ser perdido facilmente. Por outro lado, um DVD tem uma vida útil relativamente curta (menos de cinco anos, em geral).

Não use pendrives para backup!

Recomendo que todo backup seja realizado em HD externo de pouco uso. Este possui uma vida útil de aproximadamente 10 anos e deve ficar guardado boa parte do tempo em lugar seco e arejado. Além disso, você pode ter mais de uma cópia de backup para maior segurança.

Use preferencialmente um HD externo para backup!

Dicas de backup

  1. Faça backup pelo menos 1 vez por semana usando uma ferramenta como o FBackup (http://www.fbackup.com/);
  2. Ao retirar o cartão da câmera, acione a trava contra gravações para evitar apagar arquivos acidentalmente;
  3. Formate o cartão apenas após ter 2 cópias externas das imagens (uma no computador e outra no HD externo, por exemplo);
  4. Você pode adquirir uma unidade de backup com bateria, que copia seus arquivos diretamente do cartão para outro armazenamento, sem necessidade de um computador; e
  5. É preferível ter 2 cartões de 4GB a ter apenas 1 cartão de 8GB, visto que, se você perder os dados de um dos cartões, o volume da perda será menor. 

Mude a posição da chave Lock para proteger seu cartão de memória contra gravações.

Você já usa alguma dessas dicas ou tem uma nova para compartilhar? Deixe seu comentário abaixo ou em nossas redes sociais e boas fotos!

4 de outubro de 2013

Pintando com luz - criatividade à meia-noite!

Se você gosta de fotografar mas não encontra tempo para sair e fazer fotos interessantes, saiba que não está sozinho! Manter um ritmo de saídas para locais com potencial para boas fotos é uma tarefa difícil para muitas pessoas.

Por mais que o local onde você mora tenha temas interessantes, com o tempo você cansará dos mesmos temas e vai querer buscar coisas novas para fotografar. Mas se você é como eu e trabalha mais de 40h por semana com um filho pequeno em casa, dificilmente encontra tempo para uma saída fotográfica. Nesse caso, é preciso bastante criatividade para aproveitar melhor o seu tempo livre em casa, ou seja, das 23h em diante. 

Agora você deve estar se perguntando: que tipo de foto tão interessante é possível fazer no breu de quase meia-noite dentro de casa quando todos estão dormindo?

Pintando com luz


Pintando com a lanterna do celular. Exposição: 10s f/4 ISO-100.

Pintar com luz é um conceito muito simples e prático, mas muito poderoso. Basicamente você precisa de 3 ferramentas: uma câmera, um tripé ou apoio para a câmera e uma fonte de luz (lanterna, flash do celular, fósforo...). 

Comece colocando a câmera no modo manual e ajustando a velocidade do obturador para algo em torno de 10 segundos e o ISO para um valor pequeno (100, por exemplo). A abertura deve ser ajustada de acordo com a profundidade de campo necessária, mas você pode começar com um f/8, por exemplo. 

Em seguida, coloque a câmera sobre o tripé ou apoio, aponte-a para uma parede a pelo menos 1 metro de distância e ajuste o foco para a distância da câmera até a parede pressionando o botão de registrar foto até a metade. Após o ajuste de foco, é importante mudar o foco para o modo manual, visto que, em seguida, faremos uma foto no escuro e a câmera não terá uma referência para focar automaticamente. 

Agora pegue sua fonte de luz e apague as luzes. Isso mesmo! Deixe o ambiente completamente escuro! Aperte o botão de registrar foto e, nos próximos 10 segundos, ligue e direcione sua fonte de luz para a parede em frente à câmera. Mova a luz sobre a parede à vontade nesse intervalo, pintando alguma forma com a luz. Passados os 10 segundos, surpreenda-se com o resultado no LCD da sua câmera!

Pintando a letra "A" com a lanterna do celular. Exposição: 10s f/4 ISO-100.

Veja que você pode fazer a mesma arte com um simples fósforo (com o devido cuidado!).

Pintando com um fósforo. Exposição: 10s f/4 ISO-100.

Gostou da dica? Então use sua criatividade esta noite com cores e luzes diferentes. Só tenha cuidado para não acordar as crianças! :)

Pintando com duas cores alternadas na lanterna do celular. Exposição: 10s f/4 ISO-100.

29 de setembro de 2013

Postergando a escolha da exposição com AE Bracket

Em situações de iluminação variável e em que se dispõe de pouco tempo para ajustes, é difícil acertar a exposição em todas as fotos. A menos que já se tenha experiências anteriores naquele local sob a mesma iluminação, é comum chegar em casa com algumas fotos superexpostas ou subexpostas.

Em especial, fazer fotos de crianças que correm de um lado para outro, passando por diferentes planos de fundo, pode resultar em exposições bastante distintas nos modos automático e semi-automáticos. Nessa situação, se você partir para um modo manual, poderá encontrar a exposição ideal para algumas posições, mas será difícil ajustar rapidamente para contemplar todas elas.

Auto Exposure Bracket

Para essas situações, existe uma função bastante útil na maioria das câmeras. Essa função se chama Auto Exposure Bracket, ou AE Bracket, e funciona da seguinte forma: ao ser ativada, a câmera realiza 3 fotos subsequentes com exposições diferentes.

Exemplo de AE Bracket ativado para registrar 3 exposições: normal, +1EV (dobro da luz) e -1EV (metade da luz).

As 3 exposições registradas variam na mesma proporção para mais e para menos em relação à exposição ideal determinada pela câmera. Assim, a primeira foto possui exposição "normal" e as demais podem possuir o dobro da luz e a metade da luz, por exemplo.

Exposição: 1/8s f/4 ISO-100. Exposição "normal" no AE Bracket.

Exposição: 1/15s f/4 ISO-100. Exposição "mais escura" no AE Bracket (metade da luz).

Exposição: 1/4s f/4 ISO-100. Exposição "mais clara" no AE Bracket (dobro da luz).

Dessa forma, você pode postergar a escolha da melhor exposição para o pós-processamento e, com isso, registrar todos os momentos sem ficar olhando para o display de LCD da câmera a cada nova foto para ver o resultado.  

É interessante observar que é possível utilizar a função AE Bracket mesmo em modo manual. Nesse caso, as exposições irão variar na velocidade do obturador. 

Existem outras situações em que pode ser útil utilizar o AE Bracket. Por exemplo, AE Bracket pode ser utilizado para gerar imagens HDR em situações de alto contraste. Mas nós deixaremos esse assunto para outra oportunidade.

Deixe seus comentários e boas fotos!

8 de setembro de 2013

Automático, mas com personalidade!

Nos modos de exposição automáticos (A) ou semi-automáticos (P, Av, Tv), a câmera mantém-se calculando a exposição da foto até o momento do disparo do obturador. Ou seja, mesmo que você esteja pressionando o botão de registrar foto pela metade para garantir o foco e depois recompor, os valores de exposição só serão definidos no último instante antes da foto.

Modo de exposição AV. Exposição: 1/25s f/11 ISO-200.

Quando se utiliza a medição de exposição pelo centro, isto pode ser especialmente ruim, visto que é comum retirarmos o tema do centro da imagem na recomposição final. Nesse caso, a medição de exposição será feita com base no plano de fundo, e não mais no tema principal do foto, o que pode levar a uma foto mais clara ou mais escura do que se possa esperar.

Além disso, a medição automática de exposição nem sempre atende às expectativas do fotógrafo. Seja por uma questão de gosto ou simplesmente porque o tema é escuro ou claro demais, é possível que o resultado da exposição não seja a melhor imagem para o fotógrafo.

Para resolver esses problemas, existem duas funções na sua câmera. Veja a seguir.

Compensação de Exposição

A compensação de exposição permite que o fotógrafo aumente ou diminua a exposição da foto em relação ao que é considerado ideal pela câmera. Para isso, basta colocar um valor positivo ou negativo na configuração chamada EV (Exposure Value). Cada inteiro adicionado duplica a quantidade de luz captada, ou seja, +2EV é o dobro de luz em relação a +1EV e 4x mais luz do que 0EV. O mesmo ocorre no sentido inverso, em que -1EV significa metade da luz de 0EV.

Modo de exposição AV com compensação de exposição em -1EV. Exposição: 1/50s f/11 ISO-200. Metade da luz da imagem original.

Modo de exposição AV com compensação de exposição em +1EV. Exposição: 1/13s f/11 ISO-200. O dobro de luz da imagem original.

Trava de Exposição Automática

A outra função para controle de exposição que está presente nos modos semi-automáticos é a Trava de Exposição Automática (Auto-Exposure Lock). Essa função é acionada por um botão específico na câmera e bloqueia os valores dos parâmetros de exposição na posição atual. Dessa forma, é possível travar a exposição quando o tema ainda está no centro da cena e recompor em seguida sem alterar os parâmetros de exposição.

Modo de exposição AV sem compensação de exposição, mas com trava de exposição automática no caule da árvore. Exposição: 1/10s f/11 ISO-200.

Essas duas funções são muito importantes porque permitem alguma criatividade no ajuste da exposição, mesmo sem usar o modo manual. É assim que você pode colocar a sua personalidade nas imagens e corrigir eventuais problemas de exposição.

Se você já usou ou não entendeu muito bem essas funções, deixe seu comentário aqui ou em nossas redes sociais. Será um prazer ouvir a sua experiência!

24 de agosto de 2013

Dissecando uma câmera compacta: onde estão o obturador e a abertura?

Você certamente já ouviu falar bastante sobre obturador e controle de abertura aqui no @BlogLuzVisivel. Mas você já viu esses elementos da sua câmera?

Em uma câmera do tipo dSLR, o obturador é composto por duas cortinas no corpo da câmera que expõem ou escondem o sensor de captura. Já o controle de abertura é realizado através de um dispositivo na lente que regula o vão por onde a luz passa até chegar ao obturador. Mas como isso funciona numa câmera compacta, em que a lente é fixa e os componentes são todos miniaturizados?

Câmera compacta aberta e sem o monitor de LCD (display). Do lado direito, marcado em vermelho, está o sensor de captura de imagem.
Ao abrir uma câmera compacta, o primeiro elemento que ficará exposto é a tela de LCD (display). Ao removê-lo, você terá acesso ao componente principal da câmera, que é o módulo de captura de imagem. Esse módulo, devidamente selado, contém todos os elementos do processo de captura: a lente, o controle de abertura, o obturador e o sensor de captura.

Módulo de captura. Do lado esquerdo, o detalhe do interior do módulo e da peça que funciona como obturador e controle de abertura.

Ao contrário do que ocorre nas câmeras dSLR, se você abrir esse módulo, irá perceber que o controle de abertura e o obturador estão presentes em uma única peça. Além disso, no exemplo das fotos a seguir, existem apenas duas possibilidades de abertura: uma mais aberta e outra mais fechada. E para cada uma dessas opções, é possível liberar ou impedir completamente a passagem da luz. Ou seja, a câmera seleciona o tamanho da abertura e depois libera/impede a passagem da luz para controlar a velocidade do obturador.


Note que as possibilidades aqui são bem mais restritas do que numa lente para câmeras dSLR, em que é possível escolher entre vários tamanhos de abertura e, portanto, várias profundidades de campo. Essa vantagem, além de outras como o maior tamanho do sensor de captura, faz parte do rol de qualidades que atraem fotógrafos profissionais para as câmeras dSLR.

Gostou da curiosidade? Deixe seu comentário e boas fotos!

Um agradecimento a V. Malheiros, que forneceu gratuitamente a sua câmera compacta para a produção deste artigo.

18 de agosto de 2013

O que eu não sabia sobre o flash - parte 5

Este é o último artigo desse loooongo estudo em 5 partes sobre o flash. No artigo de hoje vamos mostrar como resolver um problema de fotos com flash quando o tema está em movimento.

Quando observamos um objeto em deslocamento muito rápido a olho nu, é comum vermos o objeto seguido de um borrado por onde ele já passou. Porém, quando o fotografamos com flash, esse borrado se apresenta antes do objeto, dando a impressão de que o movimento é no sentido contrário. Não... não é magia e nem feitiçaria! Isso realmente ocorre e tem uma explicação muito simples. Veja a foto abaixo...

Exposição: 0,3s f/4 ISO 200. Foto com flash em modo normal. A seta indica que, aparentemente, o movimento da pista é no sentido horário. Porém, o sentido real do movimento é anti-horário, conforme pode ser observado na próxima foto.

Apesar do que se possa imaginar, a pista na foto acima se movimentava no sentido anti-horário, e não no sentido horário.

O que ocorre é que, como já vimos em um artigo anterior desse estudo, o flash é lançado no início da exposição, mas o sensor continua captando luz ambiente até que o obturador se feche. Quando a luz do flash é lançada, o objeto está na posição inicial (onde o objeto está mais nítido na imagem). Após a luz do flash acabar, o sensor continua captando luz ambiente e registra as posições seguintes como um borrado na frente do objeto (para onde o objeto está se deslocando).

Rear Curtain Sync

A solução para esse problema é bastante simples e se chama Rear Curtain Sync. Essa é uma opção disponível na maioria dos flashes manuais e que inverte o momento do disparo do flash. Ou seja, ao invés de ser acionado logo quando o obturador se abre, ele é ativado logo antes deste se fechar.

Exposição: 0,3s f/4 ISO 200. Foto com flash em modo Rear Curtain Sync. A seta indica que, aparentemente, o movimento da pista é no sentido anti-horário. E é exatamente este o sentido do movimento real.

Essa simples modificação é capaz de resolver o problema, visto que agora a luz ambiente é inicialmente captada pelo sensor, registrando o deslocamento do objeto, e, por fim, o flash é disparado para registrar claramente a posição final do objeto. Dessa forma, o borrado aparece seguindo o objeto, e não mais antes dele, ou seja, exatamente como seria observado a olho nu.

E você? Já registrou uma foto com flash de um objeto em movimento que se deslocava em um sentido mas que na foto parecia se deslocar no sentido oposto? Curta essa página ou deixe seu comentário a seguir!

10 de agosto de 2013

O que eu não sabia sobre o flash - parte 4

Este é o quarto artigo do nosso estudo sobre o flash. No terceiro artigo da série, apresentamos o Flash Exposure Lock (FEL) e a restrição da velocidade do obturador quando se usa o flash (Flash Sync Speed). Como vimos, o Flash Sync Speed é um limitador que pode incomodar, principalmente em situações de muita luz e nas quais se quer eliminar a luz ambiente para utilizar o flash como luz principal. Mas como contornar essa limitação?

Flash High Sync Speed

A maioria das câmeras manuais e flashes externos modernos possui suporte ao que se chama Flash High Sync Speed. Em geral, essa opção pode ser acionada diretamente no flash externo e, se suportada também pela câmera, permitirá que seja configurada uma velocidade de obturador maior do que a Flash Sync Speed (1/200s ou 1/250s, na maioria das câmeras).

O que acontece com essa opção é que o flash passa a funcionar como uma luz contínua, ou seja, ele é acionado antes do obturador abrir e permanece emitindo luz até que o obturador se feche completamente. É claro que isso ocorre num intervalo de tempo muito curto, mas, na prática, é como se uma luminária fosse ativada antes da foto e desligada depois dela. Dessa forma, como a luz estará presente durante toda a exposição do sensor, toda a cena será igualmente exposta à luz do flash.

Mas tudo isso tem um preço. Existem pelo menos três questões que devem ser consideradas ao usar Flash High Sync Speed.

Menos luz

Ao usar essa opção, geralmente se consegue 1 stop de luz a menos do que se conseguiria utilizando o flash em modo padrão.

Foto com flash em modo normal. Exposição: 1/160s f/4 ISO 200.

Foto com flash em modo normal. Exposição: 1/200s f/4 ISO 200.

Foto com flash em modo High Sync Speed. Exposição: 1/250s f/4 ISO 200. Note como a luz foi muito reduzida em relação às anteriores devido à mudança do modo de flash para High Sync Speed.

O movimento não pára

Como a luz é contínua, o efeito de congelamento do movimento normalmente obtido com o uso do flash não está presente com o High Sync Speed. Por outro lado, o uso de uma alta velocidade do obturador por si só já tende a congelar qualquer movimento.

Exposição: 0,3s f/4 ISO 200. O movimento dos carros girando foi registrado devido à baixa velocidade do obturador, mesmo com o uso do flash.

Exposição: 1/200s f/4 ISO 200. Os carros foram completamente congelados devido à velocidade de obturador mais rápida e ao uso do flash.

Exposição: 1/250s f/4 ISO 200. O movimento dos carros foi levemente registrado novamente, mesmo com a velocidade do obturador ainda mais rápida do que na foto anterior. Isso acontece porque o flash agora está em modo High Sync Speed, em que se torna uma luz contínua e não congela o movimento.

Maior consumo de bateria

Como o flash vai ser acionado por um tempo maior, a bateria do flash será consumida mais rapidamente. Porém, o simples fato de deixar o High Sync Speed ativo não quer dizer que o flash será sempre contínuo. Ele só será contínuo quando a velocidade do obturador for superior à Flash Sync Speed, o que significa que você pode deixar essa opção ativa a todo momento.

E você!? Já usou High Sync Speed? Conte-nos sua experiência ou tire suas dúvidas deixando seu comentário aqui ou nas nossas redes sociais. Boas fotos!

28 de julho de 2013

O que eu não sabia sobre o flash - parte 3

Este é o terceiro artigo do nosso estudo sobre o uso do flash. No último artigo, vimos que o ajuste de exposição quando se usa o flash é principalmente realizado através da função Flash Exposure Compensation (FEC). Essa função nos permite aumentar ou diminuir a potência do flash em relação ao que a câmera originalmente definiu como a potência "ideal" para expor a cena. Mas, ainda no final do segundo artigo desse estudo, vimos que a medição dessa "potência ideal do flash" é realizada com base no centro da cena, independentemente do modo de medição de exposição configurado na câmera (spot, matrix, center-weighted...).

Na prática, isso significa que, se o tema não estiver no centro da cena, é possível que este fique superexposto ou subexposto dependendo do que está de fato no centro da cena. Assim, se um objeto muito escuro estiver no centro da cena, o tema que está na periferia poderá ficar superexposto devido a uma potência do flash muito alta. O inverso pode ocorrer quando o objeto no centro da cena é muito claro, levando a um tema subexposto. Então, como podemos resolver esse problema?

Tema subexposto à direita devido ao centro branco.

Tema superexposto à direita devido ao centro preto.

Flash Exposure Lock (FEL)

Como já foi explicado anteriormente nesse estudo, a leitura da potência ideal do flash é realizada quando se pressiona completamente o botão de registrar foto, mas antes de o obturador expor o sensor digital à luz. Nesse momento, um pré-flash é lançado (quase que imperceptivelmente) e, através deste, a câmera determina a potência do flash necessária para a cena.

Porém, na maioria das câmeras digitais que permitem controles manuais (principalmente SLRs), existe uma função chamada Flash Exposure Lock (FEL) que permite lançar o pré-flash e determinar a potência do flash antes de se apertar o botão de registrar foto. Em câmeras do tipo SLR, geralmente existe um botão específico e de fácil acesso no corpo da câmera para ativar o FEL. Ao pressioná-lo, a câmera lança o pré-flash e determina a potência ideal do flash, bloqueando-a até que a próxima foto seja registrada.

Dessa forma, tudo o que você precisa fazer é pressionar o botão de FEL com o tema no centro da cena e depois recompor a foto, reposicionando-o na periferia. Ao pressionar o botão de registrar foto, a câmera não mais lançará o pré-flash para leitura da potência do flash, mas usará o valor lido anteriormente e, assim, o tema ficará exposto corretamente. Fácil, não!?


  
Tema exposto corretamente à direita (mesmo com o centro preto) devido ao uso da função FEL.

Flash Sync Speed

Um detalhe importante sobre o uso do flash e que foi mencionado rapidamente no primeiro artigo desse estudo é que não é possível utilizar qualquer velocidade de obturador quando se utiliza o flash. Geralmente, a velocidade máxima do obturador permitida está entre 1/200s e 1/250s na maioria das câmeras.

Essa restrição se deve ao fato de que o obturador funciona como duas cortinas que bloqueiam ou deixam passar a luz para o sensor de captura. Inicialmente, uma das cortinas começa a ser recolhida e abre uma fresta entre esta e a segunda cortina, por onde passa a luz que chega ao sensor. Em seguida, a segunda cortina começa a se expandir para fechar essa fresta, impedindo a luz de alcançar o sensor. O tempo entre o início do recolhimento da primeira cortina (abertura da fresta) e o fim da expansão da segunda (fechamento da fresta) é a velocidade do obturador.

Se a velocidade do obturador for maior do que 1/200s ou 1/250s, a fresta será menor do que o sensor, ou seja, a luz nunca alcançará todo o sensor em um mesmo instante. Se isso acontecesse quando o flash fosse utilizado, apenas uma parte do sensor (correspondente à área da fresta) seria alcançada pela luz do flash, visto que esta é muito mais breve do que 1/250s (o que geraria uma imagem parcialmente iluminada pelo flash).

Em geral, a câmera bloqueia automaticamente o uso de velocidades de obturador maiores do que 1/200s ou 1/250s (dependendo da câmera) quando se usa o flash. Ou seja, se você tentar usar uma velocidade de 1/500s, por exemplo, a câmera reduzirá essa velocidade para 1/200s ou 1/250s.

Então não existe solução para esse problema? Você tem que conviver com essa limitação? Na realidade, existe sim uma alternativa para esse problema. Mas esse será o tema do artigo da próxima semana, junto com outras dicas! Fique ligado e boas fotos!

21 de julho de 2013

Pós-processamento: não jogue suas fotos na lixeira!

Aqueles que estão nos acompanhando semanalmente sabem que estamos no meio de um estudo sobre o uso do flash. Então, alguns podem estar se perguntando: qual é o porquê deste artigo agora sobre pós-processamento? Bem... este é um artigo bônus do @BlogLuzVisivel! Ele está completamente fora do nosso estudo semanal. Apenas surgiu a oportunidade de publicar uma breve dica sobre tratamento de imagens e... aqui vamos nós! Só para deixar claro, neste artigo não iremos nos aprofundar em como tratar suas imagens, mas apenas tentar impedir você de jogar suas fotos "ruins" na lixeira!

É comum chegarmos em casa após uma saída para fotografar ou uma comemoração qualquer e, ao importar as fotos do cartão para o computador, jogarmos algumas delas imediatamente na lixeira do computador dada a "suposta" má qualidade da imagem. Às vezes, trata-se de uma exposição com contraste muito alto, um enquadramento que contém muitas distrações, um horizonte inclinado, um tema desfocado ou uma imagem "clipada" (sem detalhes nas áreas claras ou escuras). É fato que alguns desses problemas são incorrigíveis, como a foto desfocada ou clipada. Mas, todos os demais problemas mencionados podem ser facilmente corrigidos em pós-processamento através de um programa de edição de imagens.

Observe a foto original abaixo e pense se você não a jogaria diretamente na lixeira após importá-la para o computador? A foto tem o horizonte inclinado, muitas distrações no plano de fundo e muita claridade no jogador (perdendo alguns detalhes da roupa e da textura da pele).

Foto original apenas com máscara aplicada no rosto do jogador para preservar sua identidade.

Após algum pós-processamento, que incluiu um recorte da imagem para excluir distrações, um ajuste no ângulo para alinhar o horizonte, um ajuste de balanço de branco para um tom de pele mais real e agradável, um ajuste de exposição e de contraste para recuperar os detalhes da roupa e da pele, algum ajuste de cores para realçar o verde do campo de futebol e o laranja do calçado e um efeito de vignette (escurecimento da periferia da imagem) para realçar o jogador e a bola, chegamos à foto abaixo.

Foto pós-processada e com máscara aplicada no rosto do jogador para preservar sua identidade.

E agora? Você jogaria essa foto na lixeira? Creio que não. Observe bem como os detalhes da roupa e dos braços e pernas do jogador foram recuperados e o enquadramento ficou bem mais interessante!

Como expliquei anteriormente, esse é um artigo bônus do @BlogLuzVisivel e não é dedicado ao tratamento de imagens, mas apenas a fazer você pensar duas vezes antes de jogar suas fotos na lixeira. É claro que você deve estar se perguntando como fazer isso, mas só trataremos mais profundamente deste assunto em outra oportunidade. Para os mais ansiosos, apenas deixo a seguinte dica: o Adobe Lightroom é um excelente software para tratamento profissional de imagens!

Por hoje é só pessoal! Bom fim de fim de semana para todos! E pense duas vezes antes de pressionar o botão "delete", OK? Você pode estar perdendo uma ótima foto!

17 de julho de 2013

O que eu não sabia sobre o flash - parte 2

A grande dúvida que provavelmente ficou martelando sua cabeça desde o nosso último artigo há uma semana é: como faço para aumentar a exposição da foto quando uso o flash em modo automático (TTL) e como luz principal? No último artigo, que é a base teórica para o que vamos conhecer hoje, explicamos que os parâmetros tradicionais de exposição (velocidade do obturador, abertura e ISO) podem não ter a influência esperada. Isto porque, em modo automático, a potência do flash é ajustada de tal forma a manter um nível considerado ideal pela câmera para aquela cena. Ou seja, ao alterar abertura e ISO, por exemplo, a potência do flash é ajustada para compensar a alteração e manter a exposição no mesmo nível ideal. Assim, nenhuma alteração na exposição é observada ao ajustar esses parâmetros. Então, como podemos fazer?

1. Flash Exposure Compensation é a salvação

Para realizar uma alteração na exposição da foto usando o flash em modo automático e como luz principal é preciso utilizar a função Compensação de Exposição do Flash (Flash Exposure Compensation - FEC). Esta função realiza o ajuste da potência do flash de acordo com a preferência do fotógrafo. Basicamente, o fotógrafo ajusta quanto de potência a mais ou a menos ele quer do flash. Essa configuração, em geral, permite ajustes entre -2 stops (1/4 da potência ideal) a +2 stops (4 vezes a potência ideal) em intervalos de 1/3 de stop. Dessa forma, se, pela leitura da câmera, a potência ideal do flash para uma dada cena for "x" e o FEC estiver configurado para +1 stop, a potência final será de "2x", duplicando a quantidade de luz na cena e, consequentemente, aumentando a exposição da foto. Configurando-se o FEC para -1 stop, a situação é inversa, ou seja, a quantidade de luz é reduzida pela metade, diminuindo a exposição da foto.

Foto registrada com flash automático e sem FEC. Exposição: 1/200s f/5,6 ISO 200.

Foto registrada com flash automático e com FEC em +1 stop. Exposição: 1/200s f/5,6 ISO 200.

Foto registrada com flash automático e com FEC em -1 stop. Exposição: 1/200s f/5,6 ISO 200.

Diferentemente dos parâmetros de exposição tradicionais (obturador, abertura e ISO), o FEC não altera a quantidade de luz ambiente captada pela sensor, mas apenas a quantidade de luz emitida pelo flash. Desta forma, qualquer alteração no FEC modifica a relação entre luz ambiente e luz do flash e pode ser claramente observada na exposição final da foto.

2. O modo de exposição da câmera influencia o uso do flash

Nesse sentido, é importante saber também que o modo de exposição da câmera tem grande influência na relação entre a quantidade de luz ambiente e a quantidade de luz do flash. Por exemplo, no modo de exposição Automático (A), a câmera só dispara o flash quando a quantidade de luz extra (luz do flash) necessária for pelo menos igual à quantidade de luz ambiente captada na cena. Ou seja, neste modo de exposição, o flash é utilizado prioritariamente como luz principal. Já no modo Programa (P), o flash pode ser utilizado como luz principal (mais forte do que a luz ambiente, caso esta seja muito fraca) ou como luz de preenchimento (mais fraca do que a luz ambiente, caso esta seja considerável). Nos modos Prioridade de Abertura (Av) e Prioridade de Obturador (Tv), o flash é utilizado prioritariamente como luz de preenchimento (mais fraca do que a luz ambiente). E no modo Manual (M), assim como no modo Programa (P), o flash pode ser utilizado como luz principal ou de preenchimento, de acordo com a necessidade.

3. A medição da potência do flash pode resultar em uma foto subexposta ou superexposta

Muito bem! Para dominar o básico do uso do flash, só precisamos de mais uma informação: como é feita a medição da potência ideal do flash para uma dada cena? Já vimos no artigo anterior desta série que esta medição é realizada através de um pré-flash disparado no momento em que se pressiona completamente o botão de registrar foto, mas antes do obturador se abrir e expor o sensor. Mas que parte da cena é avaliada a partir desse pré-flash? Toda a cena ou apenas uma parte dela?

A resposta é: apenas o centro da imagem é avaliado para definir a potência do flash. E o mais interessante é que isto independe do tipo de medição de exposição (spot, center-weighted, evaluative, matrix) configurado na câmera. Ou seja, não importa se a leitura da exposição realizada normalmente pela câmera leva em consideração toda a cena ou apenas parte dela; para definir a potência do flash, apenas o centro da imagem é considerado como referência.

Aí vem a próxima dúvida: e se o tema da minha foto não estiver localizado no centro da imagem (o que, em geral, é verdade!)? Minha foto pode ficar subexposta ou superexposta? Bem... estas são cenas do próximo capítulo! Responderemos esta dúvida e esclarecemos outras questões no próximo artigo desse estudo, daqui a uma semana. Não perca!!

9 de julho de 2013

O que eu não sabia sobre o flash - parte 1

O flash é uma das ferramentas mais poderosas e controversas da fotografia. Há quem não fotografe sem ele e há quem o exclua completamente do seu leque de opções. Mas a verdade é que, apesar do que possa parecer, esta não é uma ferramenta simples de compreender e manipular e traz incertezas quanto à exposição da foto em um primeiro momento. Para revelar algumas das dicas mais esclarecedores sobre o funcionamento do flash, lançamos um estudo específico que começa com este artigo! Neste estudo, vamos entender principalmente como a iluminação do flash é influenciada pelos parâmetros de exposição e medição de luz (fotometria) da câmera, o que é essencial para fazer fotos com flash com consciência dos resultados a serem obtidos a cada alteração de configuração da câmera. Pegue sua bebida preferida e sua câmera, e vamos começar!!

Modos de operação do flash: manual e automático (TTL)

O flash possui dois modos de operação: o manual e o automático.

No modo manual, o fotógrafo decide quanto de luz o flash irá disparar e os parâmetros da câmera são completamente ignorados. As opções de quantidade de luz nesse modo, em geral, vão de 1/1 (máxima potência do flash) até 1/64 (64 avos da potência máxima), em intervalos de 1/3 de stop. Esse modo é mais utilizado em estúdio, onde se tem controle total sobre a luz e, geralmente, quando há tempo para fazer fotos de teste e ajustar o equipamento.

Flash manual em 1/1 (potência máxima). Sem flash, seria uma foto completamente escura. Exposição em 1/200s f/5,6 ISO 200.

Flash manual em 1/64 (potência mínima). Sem flash, seria uma foto completamente escura. Exposição em 1/200s f/5,6 ISO 200.

No modo automático, a potência do flash é determinada por uma medição de luz realizada pela câmera através das lentes, que é comumente chamada de TTL (through the lens), e por alguns parâmetros de exposição, como abertura e ISO.

Flash em modo automático. Sem flash, seria uma foto completamente escura. Exposição em 1/200s f/5,6 ISO 200.

Dica #1: a medição do flash é diferente da medição da exposição

Aqui é preciso entender que essa medição de luz para o flash é completamente distinta daquela realizada pela câmera para estimar a exposição da foto. A medição para exposição é realizada quando se aperta o botão de registrar foto até a metade, enquanto que a medição para a potência do flash é realizada ao se pressionar completamente este botão, mas antes do obturador se abrir e expor o sensor. Ao pressionar completamente o botão de registrar foto, um pré-flash é disparado ainda com o obturador fechado e a leitura da luz que passa pela lente é captada por um sensor interno. Essa leitura irá determinar a potência da luz do flash a ser utilizada de forma a complementar a luz ambiente no que for necessário.

Dica #2: a velocidade do obturador não influencia a potência do flash

Também é importante saber que a velocidade do obturador é desconsiderada nessa medição. Ou seja, não importa para qual velocidade de obturador a câmera esteja configurada, a potência do flash será determinada por uma função que considera apenas a leitura durante o pré-flash, com os parâmetros de abertura e ISO naquele momento.

Flash em modo automático. Sem flash, seria uma foto completamente escura. Exposição em 1/60s f/5,6 ISO 200. Compare com a foto anterior e perceba que a exposição é exatamente a mesma, apesar da alteração na velocidade do obturador. Se quiser conferir com precisão, abra as duas fotos em um programa de edição de imagens e observe o histograma de cada uma delas. Eles são idênticos.

Dica #3: a velocidade do obturador pode influenciar a exposição da foto, mas com limitações

Note que isto não quer dizer que a exposição da foto não pode ser controlada pela velocidade do obturador quando se utiliza o flash. Se a câmera estiver no modo manual, por exemplo, e for selecionada uma velocidade de obturador tão lenta que a luz ambiente será captada em grande quantidade mesmo sem o flash, ao ativar o flash essa quantidade de luz se somará à luz emitida pelo flash e gerará uma foto superexposta.

Foto sem flash. Exposição em 1s f/5,6 ISO 200. Muita luz ambiente já está sendo captada mesmo sem o flash.

Flash em modo automático. Sem flash, seria como na foto anterior. Exposição em 1s f/5,6 ISO 200. A câmera ignorou a velocidade do obturador muito lenta e simplesmente definiu a potência do flash com base no pré-flash e os parâmetros de abertura e ISO, adicionando muito mais luz do que o necessário e superexpondo a foto.

Porém, normalmente o flash é utilizado (i) como luz principal em situações de pouca luz ou (ii) como preenchimento de sombras em situações de muita luz. (i) Quando há pouca luz, a velocidade do obturador será geralmente algo entre 1/60s (para que seja possível segurar a câmera com as mãos sem desfocar) e 1/200s (máximo permitido em geral para fotos com flash). Nesse caso, essa configuração é suficiente para cortar completamente a luz ambiente, zerando essa componente da soma e, portanto, qualquer configuração de velocidade do obturador nesse intervalo não alterará a exposição da foto. (ii) Na situação de muita luz ambiente com flash para preenchimento (sob forte luz do sol, por exemplo), a velocidade do obturador será normalmente a máxima permitida para uso com flash (em torno de 1/200s) com abertura em f/16 a fim de manter a exposição em um nível aceitável. Isso limita a flexibilidade de configuração da velocidade do obturador e, portanto, a possibilidade de alterá-lo para definir a exposição final da foto.

Dica #4: na prática, nada influencia a exposição da foto, exceto...

Tudo isso significa que, se você estiver usando o flash no modo automático (que é o mais comum) e achar que precisa de mais ou menos luz, você pode não perceber nenhuma diferença na exposição ao alterar os parâmetros de exposição (obturador, abertura e ISO). Como já foi explicado, a alteração da exposição pela velocidade do obturador é limitada em condições normais de uso do flash. Já a abertura e o ISO, apesar de influenciarem diretamente a potência do flash, quando se diminui ou aumenta esses parâmetros a câmera aumenta ou diminui automaticamente a potência do flash para compensar a diferença de luz e, com isso, manter a exposição da foto em um mesmo nível que ela considera ideal de acordo com o pré-flash.

Flash automático. Exposição em 1/200s f/4,5 ISO 200. Mesma exposição das outras duas fotos desta sequência.

Flash automático. Exposição em 1/200s f/8 ISO 200. Mesma exposição das outras duas fotos desta sequência.

Flash automático. Exposição em 1/200s f/5,6 ISO 800. Mesma exposição das outras duas fotos desta sequência.

A única exceção para a regra descrita no parágrafo anterior é quando a alteração na abertura ou no ISO gera uma exposição tão baixa que o flash é incapaz (mesmo na maior potência) de prover a iluminação necessária para a exposição "ideal". É o que ocorre na foto a seguir, em que a combinação de abertura e ISO levam à potência máxima do flash (1/1), mas esta não é suficiente para expor a foto "corretamente".

Flash automático. Exposição em 1/200s f/11 ISO 200. Foto subexposta porque a potência máxima do flash não foi suficiente para manter a exposição em um nível "adequado".

Dica #5: a exposição da foto com o uso do flash é um mistério a ser revelado

Existem recursos como a luz modeladora do flash e acessórios externos de medição de luz incidente que podem ajudar na pré-visualização da exposição da foto e na estimativa de potência do flash a ser utilizada. Porém, estes são recursos apenas auxiliares. Na prática, o resultado da exposição da foto com flash só será conhecido após o registro dela. Por isso, é muito importante treinar o uso do flash para conseguir fazer fotos sem ter que registrar muitas imagens de teste previamente.

Por hoje vamos ficar por aqui, mas na semana que vem continuaremos nosso estudo sobre o flash e a fotometria. Se você está curioso para saber, então, como é possível aumentar ou diminuir a exposição da foto com o uso do flash automático já que o obturador, a abertura e o ISO não fazem qualquer diferença, não perca o próximo artigo deste estudo! Até a próxima semana!