13 de fevereiro de 2013

Abertura do diafragma

Olá, leitores do @BlogLuzVisivel! Na última postagem discutimos a importância da velocidade do obturador para a correta exposição da imagem. Na postagem de hoje, falaremos sobre o segundo parâmetro de configuração da exposição: a abertura do diafragma.

A abertura do diafragma, em palavras simples, é o orifício por onde a luz passa depois de atravessar o conjunto óptico de lentes e antes de chegar às cortinas do obturador e, em seguida, alcançar o sensor da câmera. Essa abertura está presente na lente da câmera e pode ser controlada de forma a aumentar ou diminuir seu diâmetro.

A lógica do controle da exposição através da abertura do diafragma é bem simples. Aumentando o diâmetro da abertura do diafragma, permitimos que mais luz alcance o sensor da câmera, gerando uma imagem mais clara. Por outro lado, diminuindo o diâmetro da abertura do diafragma, permitimos que menos luz alcance o sensor da câmera e a imagem gerada será mais escura.

A abertura do diafragma é medida por seu diâmetro e é representada por uma fração em que o numerador é a distância focal (f). Assim, uma abertura f/2 em uma lente de 50mm de distância focal é uma abertura de 25mm de diâmetro. Assim, a mesma lente de 50mm se configurada com abertura f/16 (diâmetro de 3,125mm) deixará passar bem menos luz.

Assim como para a velocidade do obturador, o parâmetro de abertura do diafragma possui alguns valores de referência, como f/1, f/1.4, f/2, f/2.8, f/4, f/5.6, f/8, f/11, f/16, f/22 e f/32. Cada salto entre estes valores de referência (de f/1 para f/1.4, de f/1.4 para f/2...) é considerada como uma parada-f ou f-stop. O mais importante em relação a esses valores de referência é que cada incremento de parada-f reduz a luz que alcança o sensor da câmera pela metade. Da mesma forma, cada redução de parada-f dobra a luz que alcança o sensor da câmera.

Mas, assim como a velocidade do obturador, a abertura do diafragma não é responsável apenas por aumentar ou diminuir a exposição da imagem. A abertura do diafragma tem impacto também sobre a nitidez e a profundidade de campo da imagem.

A nitidez da imagem é afetada por um efeito chamado difração da luz, que ocorre quando um feixe de luz passa por um orifício muito pequeno. Assim, quando a abertura do diafragma é muito pequena (f/32 em uma lente de 24mm, por exemplo), a difração da luz pode gerar uma imagem menos nítida do que o esperado, mesmo com o foco ajustado corretamente. Além disso, toda lente é projetada de forma a gerar máxima nitidez em uma determinada abertura do diafragma. Em lentes comerciais, normalmente essa abertura é duas paradas-f mais fechada do que a abertura máxima da lente. Ou seja, se sua lente tem abertura máxima f/2.8, a abertura para maior nitidez dessa lente normalmente seria f/5.6.

Mas a característica da imagem mais afetada pela abertura do diafragma é a profundidade de campo. A profundidade de campo é o quanto da imagem estará em foco em torno do ponto focal. Ou seja, se o ponto focal está a 2 metros de distância da câmera, é possível que entre 1 metro e 4 metros da câmera, todos os objetos na cena também estejam em foco. Esse intervalo é a profundidade de campo e poderia ser menor (entre 1,5m e 3m, por exemplo) ou maior (entre 0,5m e 10m, por exemplo) de acordo com a configuração da abertura do diafragma. Na prática, a abertura do diafragma e a profundidade de campo são inversamente proporcionais. Assim, quanto maior a abertura (f/2, por exemplo) menor será a profundidade de campo, e vice-versa. Porém, como a profundidade de campo não depende apenas da abertura, mas também da distância focal e da distância até o sujeito, não é possível dizer qual será a profundidade de campo de uma imagem apenas com o valor da abertura do diafragma.

Obs. 1: a difração da luz e a profundidade de campo são tópicos que merecem detalhamento e, por isso, serão discutidos em postagens específicas, aqui no @BlogLuzVisivel. Fique atento!

Obs. 2: se você ainda não entende os conceitos de velocidade do obturador e de foco, veja as postagens anteriores do @BlogLuzVisivel a respeito desses assuntos.

Profundidade de campo bastante limitada, apresentando os objetos atrás do macaco bastante desfocados. Nesta foto, a abertura do diafragma foi configurada para f/5,6.

Profundidade de campo mais ampla, apresentando os objetos atrás do macaco apenas um pouco desfocados. Nesta foto, a abertura do diafragma foi configurada para f/16.
Bom, pessoal! Espero que tenham gostado das explanações, mas se ficou alguma dúvida ou se tiverem alguma sugestão, contribuam com a comunidade deixando o seu comentário abaixo, acessando o nosso twitter ou publicando uma foto na sua rede social preferida com a tag (rótulo) #BLVABERTURA.

Na próxima postagem, falaremos sobre o terceiro parâmetro de exposição, que é o ISO. Aguardamos vocês!

Velocidade do obturador

Olá!! O @BlogLuzVisivel está de volta para mais uma postagem sobre a arte de fotografar. Na última postagem, falamos sobre o que é exposição e como ela influencia a qualidade da sua foto. Vimos que ela pode ser ajustada através de 3 parâmetros: a velocidade do obturador, a abertura do diafragma e a sensibilidade do sensor (ISO). Nesta postagem vamos falar sobre o primeiro desses parâmetros de exposição: a velocidade do obturador. Mas para entender como controlar a exposição a partir da velocidade do obturador, primeiramente é necessário entender como a luz é capturada pela câmera e qual é o papel do obturador nessa captura.

A luz refletida pelos objetos da cena que se quer fotografar atravessa a lente da câmera e chega a um pequeno orifício chamado diafragma. Ao passar pelo diafragma, a luz chega a uma espécie de cortina chamada de obturador. Pense no obturador como as cortinas de uma janela que, quando são abertas, permitem que a luz externa penetre o ambiente. Da mesma forma, quando o botão de tirar foto é pressionado completamente, o obturador é aberto por alguns instantes, permitindo que a luz alcance o sensor que registra a luz em meio digital.

É importante observar que, quanto mais tempo o obturador ficar aberto, mais luz alcançará o sensor de captura da imagem, gerando uma foto mais clara. Por outro lado, se o obturador for aberto por muito pouco tempo, como apenas alguns milésimos de segundo, a quantidade de luz que alcançará o sensor será muito pequena, gerando uma imagem mais escura. Assim, se controlarmos o tempo em que o obturador abre e fecha a cada foto, podemos controlar a exposição da foto à luz que atravessa a lente da câmera. Essa, então, é uma das formas que podemos utilizar para capturar uma foto idealmente exposta, superexposta ou subexposta.

A regra geral para capturar uma imagem controlando a exposição pela velocidade do obturador é: quanto menor a iluminação da cena, menor deve ser a velocidade do obturador. Ou seja, quanto menos luz for refletida pelo sujeito da foto, maior deve ser a exposição do sensor à luz que atravessa a lente da câmera, deixando o obturador aberto por mais tempo. Normalmente, a velocidade do obturador pode ser ajustada a partir de 1 segundo para 1s, 2s, 4s, 8s, 15s ou 30 segundos (velocidade baixa igual a exposição longa), ou abaixo de 1 segundo para 1/2s, 1/4s, 1/8s, 1/15s, 1/30s, 1/60s, 1/125s, 1/250s, 1/500s, 1/1000s, 1/2000s e 1/4000 segundo (velocidade alta igual a exposição curta). Valores intermediários também são possíveis, mas esses são os valores da escala de referência para a velocidade do obturador.

Note que as velocidades da escala de referência do obturador variam multiplicando-se ou dividindo-se o valor anterior por 2 a partir de 1 segundo, exceto apenas entre 8s e 15s, entre 1/8s e 1/15s e entre 1/60s e 1/125s. Dessa forma, a cada aumento na velocidade do obturador de acordo com a escala, a quantidade de luz que alcança o sensor é reduzida pela metade. Da mesma forma, a cada diminuição na velocidade do obturador seguindo a escala, a quantidade de luz no sensor dobra.

Mas ajustar a velocidade do obturador não impacta apenas na quantidade de luz que é capturada na foto. A velocidade do obturador impacta também na quantidade de "movimento" que é capturada pela foto. Movimento?! Como assim?! Ao fotografar sujeitos em movimento (carros correndo, correntes de água ou crianças brincando, por exemplo) com uma velocidade de obturador baixa (mais de 1 segundo, por exemplo), é provável que o sujeito se apresente borrado (com um "arrasto" nas bordas e pouco nítido). Isto acontece porque, enquanto o obturador estava aberto, o sujeito se deslocou o suficiente para que sua imagem fosse capturada em duas ou mais posições dentro da mesma foto. A captura dessas imagens deslocadas em uma única foto é o que gera o efeito de "arrasto" ou "borrado".

Esse efeito pode ser desejado em algumas fotos, mas também pode ser evitado com o aumento da velocidade do obturador (normalmente abaixo de 1/500s, dependendo da velocidade de deslocamento do sujeito sendo fotografado). Aumentar a velocidade do obturador vai fazer com que a imagem capturada pelo sensor seja referente à luz do sujeito em uma única posição, ou seja, sem o efeito de "arrasto". A velocidade de obturador muito alta normalmente é utilizada em fotografias de esporte, nas quais normalmente se quer congelar o sujeito que se move rapidamente.
Tema levemente borrado devido à baixa velocidade do obturador. Foto registrada com velocidade do obturador em 1/200s.

Tema muito borrado devido a uma velocidade do obturador ainda mais baixa. Foto registrada com velocidade do obturador em 1/50s.
Note também que uma velocidade de obturador muito lenta pode gerar uma imagem borrada não pelo movimento do sujeito da foto, mas pelo movimento de tremor da mão do fotógrafo. Como regra geral, recomenda-se que, ao fotografar com a câmera em mãos, a velocidade do obturador seja de ao menos o inverso da distância focal da lente. Ou seja, se a distância focal é de 50mm, a velocidade do obturador deve ser no mínimo de 1/50s, ou 1/60s na escala de referência (essa regra pode ser quebrada caso a lente possua um bom sistema anti-vibração, como é o caso das lentes da Nikon e da Canon). Caso não seja possível chegar a essa velocidade devido à iluminação da cena, a câmera deve ser colocada em um tripé para evitar comprometer a nitidez da imagem.
Tema desfocado pelo tremor das mãos registrado devido à baixa velocidade do obturador. Foto registrada com velocidade do obturador em 0,8s.
Nesta postagem, falamos sobre um dos parâmetros de controle de exposição, a velocidade do obturador. Vimos também que, além de alterar a exposição, a velocidade do obturador influencia a quantidade de movimento capturada na foto. Na postagem seguinte do @BlogLuzVisivel, falaremos sobre o segundo parâmetro de controle da exposição: a abertura do diafragma.

Aproveite agora para nos contar sua experiência com fotografias de alta ou baixa velocidade do obturador. Deixe o seu comentário abaixo ou em nosso twitter, ou publique uma foto na sua rede social preferida com a tag (rótulo) #BLVOBTURADOR.

Fique atento e até a próxima!

Exposição

Olá! Estamos aqui para mais uma postagem do @BlogLuzVisivel. Na última postagem discutimos sobre zoom, distância focal e ângulo de visão. Desta vez, vamos falar sobre um assunto muito importante na fotografia: a exposição. Para começar de forma simples, vamos tentar entender o que é a exposição.

A exposição está relacionada com a intensidade da luz que é capturada pelo sensor através das lentes da câmera. Pode-se dizer que quanto maior é a exposição, mais clara é a foto. Por outro lado, quanto menos exposta é a foto, mais escura ela se apresenta. No meio termo, está o ponto de exposição ideal, que revela uma imagem com intensidade de luz similar à observada a olho nu.

Toda câmera fotográfica que permite ajuste de exposição possui um indicador do nível de exposição da foto. Esse indicador mostra o desvio do nível de exposição em relação ao que a câmera considera como o ponto de exposição ideal para aquela foto. Esse indicador só é possível graças a um dispositivo na câmera fotográfica chamado de fotômetro. O fotômetro, então, é o dispositivo responsável por medir a intensidade de luz que será capturada pelo sensor através das lentes. É através desse mesmo dispositivo que a câmera calcula o que ela considera ser o ponto de exposição ideal. Diz-se que uma foto está superexposta quando o seu nível de exposição é superior ao nível de exposição ideal. De forma similar, uma foto está subexposta quando seu nível de exposição é inferior ao nível de exposição ideal. Mas como o nível de exposição ideal é calculado? Para saber como o nível de exposição ideal é calculado, é preciso entender como o fotômetro funciona e o que a câmera assume a respeito do mundo real.

O fotômetro da câmera mede a intensidade de luz refletida pelos objetos que estão no campo de visão da lente. Essa intensidade de luz é controlada por 3 parâmetros de configuração da câmera: a abertura do diafragma, a velocidade do obturador e a sensibilidade do sensor (ISO). Estudaremos como controlar esses parâmetros nas postagens seguintes do @BlogLuzVisivel. No momento, basta entendermos que a intensidade de luz percebida pelo fotômetro depende da configuração desses 3 parâmetros.

A câmera, por sua vez, assume que a intensidade de luz média de qualquer foto do nosso mundo real deve corresponder a um cinza a 18%. Ou seja, não importa qual é a cena que você esteja fotografando, toda câmera assume que a média das intensidades de luz de cada ponto da foto deve ser igual a um cinza a 18%. Assim, o ponto de exposição ideal da foto para a câmera é aquele em que a média das intensidades de luz se iguala a cinza a 18%.

A partir da informaçao de intensidade de luz obtida pelo fotômetro e da premissa assumida pela câmera a respeito da intensidade de luz média de qualquer foto, a câmera informa previamente ao fotógrafo se a foto está subexposta, superexposta ou idealmente exposta. Mas podemos realmente confiar nessa informação? De fato toda foto tem uma intensidade de luz média equivalente ao cinza a 18%?

Infelizmente, apesar de ser uma boa estimativa, a regra do cinza a 18% nem sempre é verdadeira. Acontece que, se você estiver tirando uma foto de um objeto essencialmente escuro ou muito claro, é provável que a regra dos 18% não valerá. Nesses casos, a câmera fará com que ambos os objetos (escuro e claro) pareçam a mesma coisa: um cinza a 18%. Esquisito, não é? Mas é assim mesmo que a câmera funciona! E, por isso mesmo, não podemos confiar cegamente no que nos indica a câmera fotográfica.

Para corrigir o problema de exposição mencionado acima, é preciso observar a intensidade de luz refletida pelo objeto que se está fotografando. Se o objeto é escuro, a tendência da câmera é superexpor a foto para compensar e chegar ao cinza a 18%. Nesse caso, você deve configurar manualmente um ou mais dos 3 parâmetros de controle de exposição da câmera para tentar reduzir a intensidade de luz capturada pelo sensor. Ao fazer isso, a câmera irá indicar que a foto está subexposta, mas você, fotógrafo, saberá que isso é um erro. De forma similar, se você está fotografando um objeto muito claro, a câmera tenderá a subexpor a imagem para chegar ao cinza a 18%. Nesse caso, você deve fazer a operação inversa, configurando os parâmetros de exposição manualmente para aumentar a intensidade de luz capturada pela câmera.

É importante ajustar adequadamente a exposição da foto. Salvo as exceções mencionadas acima, uma foto subexposta normalmente não apresenta detalhes nas regiões mais escuras (sombras completamente negras, por exemplo). Por outro lado, uma foto superexposta normalmente não apresenta detalhes nas regiões mais claras (nuvens completamente brancas, por exemplo). As fotos mais difíceis para se configurar a exposição corretamente são aquelas que apresentam objetos muito claros e muito escuros na mesma cena. Nesses casos, muitas vezes é necessário optar por perder os detalhes do objeto claro ou do objeto escuro para obter uma exposição adequada, embora existam outras alternativas como as fotos High Dynamic Range (HDR) que buscam obter ambos os detalhes na mesma foto. Mas esse é um assunto para outra postagem do @BlogLuzVisivel. Acompanhe as publicações do nosso blog por e-mail, feed ou pelo twitter. Acesse os links no menu ao lado!
Foto subexposta em -1 stop (metade da luz necessária). Muitas sombras sem detalhes.

Foto exposta corretamente. Distribuição equilibrada de áreas claras e de sombras.

Foto superexposta em +1 stop (o dobro da luz necessária). Muitas áreas claras sem detalhes.
Na próxima postagem falaremos sobre um dos 3 parâmetros de configuração da exposição: a velocidade do obturador. Não perca!!

Zoom, distância focal e ângulo de visão

Olá, leitor do @BlogLuzVisivel!! Na última postagem, falamos sobre o que é o foco e sobre como utilizar seus diferentes tipos na câmera. Na postagem de hoje, vamos falar sobre o que é o zoom e a sua relação com a distância focal e com o ângulo de visão.

O zoom é, basicamente, a magnificação da imagem. Ou seja, o zoom permite ampliar a imagem em um determinado fator. Dizemos, assim, que a imagem foi ampliada em duas vezes, quando o fator de magnificação (zoom) é de 2x.

É importante ressaltar, porém, que a ampliação da imagem através do zoom é inversamente proporcional à parcela da cena visível através da lente. A parcela da cena visível através da lente é a luz que será registrada na foto e é medida por uma propriedade chamada ângulo de visão. Então, pode-se dizer que, à medida em que a imagem é ampliada, o ângulo de visão da lente diminui. O efeito prático dessa relação é que, quanto mais zoom se aplica a uma cena, menos informação dessa cena pode ser capturada, ou seja, apenas a parte mais central da cena passa a ser registrada na foto.

A magnificação e redução da imagem com uma única lente só é possível através de lentes chamadas lentes zoom. Esse tipo de lente permite variar uma propriedade da lente chamada distância focal. Assim, a variação da distância focal em uma lente zoom tem influência sobre a magnificação da imagem e sobre o ângulo de visão da lente.

A distância focal é medida em milímetros (mm). Então, fala-se em lente 50mm para se referir a um lente com distância focal fixa de 50mm e fala-se em lente 18-55mm para se referir a uma lente zoom com distância focal variável entre 18mm e 55mm. Em uma lente zoom, a divisão entre a maior e a menor distâncias focais resulta no fator de magnificação da lente em relação à imagem obtida na menor distância focal. Ou seja, a imagem obtida por uma lente zoom 18-55mm quando ajustada para 55mm está ampliada em três vezes (55 divido por 18) em relação à imagem obtida pela mesma lente ajustada para a distância focal de 18mm.

Pelo exemplo anterior, podemos perceber que a distância focal é diretamente proporcional à magnificação da imagem. Ou seja, quanto maior a distância focal, maior a ampliação da imagem. E, como a ampliação da imagem é inversamente proporcional ao ângulo de visão, podemos dizer que a distância focal também é inversamente proporcional ao ângulo de visão. Isto é, quanto maior a distância focal, menor é o ângulo de visão da lente.

Uma lente é dita parfocal quando ela consegue manter o foco perfeito ao se variar sua distância focal. A maioria das lentes no mercado, porém, não são lentes parfocais. Isto significa que o fotógrafo deve aplicar o zoom (mudar a distância focal) antes de focar. Ou seja, se o foco está em modo automático, o zoom deve ser aplicado antes de se pressionar o botão de tirar foto pela metade1. Se não for assim, o foco perfeito registrado antes do zoom será perdido, mesmo que essa diferença seja pouco perceptível a olho nu.

O zoom pode ser muito útil em diversas situações. Uma situação muito comum para o uso do zoom é a impossibilidade de se aproximar do sujeito da foto, como, por exemplo, em fotografias de animais perigosos. Outro uso comum do zoom é quando se quer retirar da imagem algum elemento ou fundo indesejado que se apresenta ao redor do sujeito da foto, por exemplo. Nesses casos, uma simples ampliação através do zoom pode evitar que o observador da foto se distraia com elementos visuais incompatíveis com a mensagem que se quer passar (fill the frame)2.
Foto registrada com distância focal de 37mm.

Foto registrada com distância focal de 55mm. Zoom aproximado de 1,5x (55mm/37mm) em relação à foto anterior e menor ângulo de visão.
Compartilhe sua experiência e conhecimento sobre zoom com os leitores do @BlogLuzVisivel! Deixe seu comentário abaixo ou mencione @BlogLuzVisivel no Twitter.

Nesta postagem falamos sobre o zoom e a sua relação com a distância focal e com o ângulo de visão. Na próxima postagem falaremos sobre um dos assuntos mais importantes em fotografia: exposição. Não perca!

1 para saber mais sobre foco, leia nossa postagem anterior sobre foco.
2 para saber mais sobre composição de fotos, leia nossa postagem anterior sobre composição.

Foco

Olá!! Estamos aqui para mais uma postagem do @BlogLuzVisivel. Desta vez, o assunto é foco! Este talvez seja um dos assuntos mais simples quando se trata de fotografia. Quase que instintivamente, as pessoas sabem distinguir uma fotografia em foco de uma que está fora de foco.

O foco está relacionado com a nitidez de uma foto. Um sujeito de uma foto está em foco quando sua nitidez é máxima, possuindo contornos e limites bem definidos. Um sujeito fora de foco aparece borrado, com "arrastos" em seu contorno.

Atualmente, todas as câmeras fotográficas no mercado possuem um sistema automático de foco. Assim, basta o fotógrafo apertar o botão de tirar foto pela metade e a câmera irá focar em algum ponto da cena. Quando o foco é corretamente ajustado naquele ponto, a câmera confirma para o fotógrafo com um sinal sonoro e/ou uma luz verde no visor. Ao terminar de pressionar o botão, a foto é registrada com o foco naquele ponto específico.

O ponto de foco selecionado pela câmera depende da sua configuração de foco automático. Normalmente, é possível escolher entre algumas alternativas, como focar em 1 ou mais entre 9 pontos de foco. Na prática, a câmera foca não em um ponto específico, mas sim no plano paralelo ao sensor da câmera que contém o ponto selecionado na cena. Isto significa que todos os pontos que estão no mesmo plano do ponto de foco estarão perfeitamente em foco. Todos os demais planos estarão, em algum grau, fora de foco. Note que, apesar de poder selecionar mais de um ponto de foco, na realidade só existirá um plano perfeitamente em foco na foto que é um plano intermediário aos planos que possuem os pontos de foco selecionados. Isto porque a lente só pode focar perfeitamente em um plano que está a uma certa distância por vez. Essa distância do foco perfeito é calculada a cada foto com base nos pontos selecionados para o foco automático.

Uma observação importante em relação ao foco automático é que, ao pressionar o botão de tirar foto pela metade, a câmera irá travar o foco no plano selecionado até que o botão seja completamente apertado ou liberado. Assim, se o foco automático da sua câmera está configurado para o ponto central da cena, você deve primeiramente (i) centralizar a cena no ponto em que se quer obter o foco perfeito, em seguida (ii) pressionar o botão de tirar foto pela metade para que o foco seja travado naquele ponto, (iii) reposicionar a câmera para compor1 a foto com os elementos que você deseja registrar e, por fim, (iv) pressionar completamente o botão de tirar foto. Dessa forma, mesmo tendo configurado sua câmera para focar automaticamente no ponto central da cena, você pode tirar uma foto com o ponto de foco em outra posição que não seja o centro da foto.

Porém, muitas vezes, sua câmera não será capaz de obter o plano de foco corretamente. Isto acontece normalmente quando a iluminação na cena é fraca ou o sujeito sendo focalizado possui uma superfície reflexiva imperfeita, como um vidro ou um metal.  Nesses casos, ao pressionar botão de tirar foto pela metade, a câmera normalmente sinaliza o problema ao fotógrafo através de um indicador visual vermelho. O fotógrafo, então, deve selecionar a opção de foco manual da sua câmera ou lente e girar o anel de foco até encontrar o plano que focaliza perfeitamente o sujeito. Obviamente, encontrar o plano de foco perfeito manualmente requer algum treinamento. Por isso, você deve praticar o foco manual sempre que possível para usá-lo corretamente quando precisar dele.

Agora que você já conhece as funções de foco automático e de foco manual, vamos a uma dica importante: se você está fotografando uma pessoa ou um animal, cuide para que o ponto de foco da sua cena esteja no olho do seu sujeito. O olho normalmente é o primeiro ponto a ser observado quando se vê a foto de uma pessoa ou animal. Por isso, esse ponto deve estar em foco perfeito. Portanto, na hora de tirar sua foto, escolha um dos olhos e focalize-o.

Tema com foco perfeito nos olhos.

Tema completamente fora de foco.
Bom, pessoal! Vamos ficar por aqui dessa vez. Voltaremos a falar sobre foco em outra oportunidade.

Você já tirou uma foto usando foco manual? Deixe o seu comentário abaixo e adicione um link para sua foto!

Na próxima postagem, falaremos sobre o zoom! Aguardamos sua participação!

1 para saber mais sobre composição de fotos, leia nossa postagem anterior sobre composição.

Composição

Olá! Essa é a segunda postagem do @BlogLuzVisivel! Na postagem anterior, discutimos o que é fotografia e alguns conceitos relacionados. Vimos, por exemplo, que um fotografia registra apenas parte da luz refletida pelo sujeito e que, por isso, precisamos decidir qual parte da luz refletida queremos registrar.

Na postagem de hoje, vamos falar exatamente sobre o que registrar na nossa foto. No meio fotográfico, chamamos essa decisão de composição da foto. Ou seja, compor a foto é decidir o que será registrado nela (que elementos irão compor a cena da foto, bem como o ângulo de visão de cada elemento).

Podemos compor a nossa foto com uma bela paisagem, uma pessoa querida ou simplesmente um inseto esquisito. De forma individual, cada uma dessas fotos possui uma mensagem específica: o deslumbramento com a bela paisagem, o grande amor da sua vida ou o seu espanto com um inseto. Mas podemos também registrar os mesmos sujeitos em uma única foto do inseto esquisito no cabelo da pessoa querida em uma bela praia. Nesse caso, a carga de informações na foto é muito maior e a mensagem é bem diferente: eu estava com meu amor em uma bela praia quando um inseto esquisito pousou em sua cabeça.

Note que a composição da foto tem uma relação direta com a mensagem que se quer transmitir; e cabe unicamente a você, fotógrafo, decidir qual é essa mensagem. A partir dessa observação, fica claro, portanto, que a fotografia também é uma forma de comunicação; uma forma de comunicação visual. Ou seja, o fotógrafo transmite uma mensagem visual a partir da sua fotografia.

Como emissor de uma mensagem, o fotógrafo deve se preocupar em transmitir a sua mensagem da forma mais clara e simples possível. Assim, ele deve evitar inserir ruídos e ambiguidades que possam distrair ou confundir o receptor na interpretação da sua mensagem.

Muitas pessoas ignoram essa necessidade de clareza e simplicidade e acabam poluindo suas fotos com objetos e fundos totalmente desnecessários. Essas informações desnecessárias na mensagem prejudicam a qualidade da comunicação e denigrem a sua fotografia.

Por isso, antes de fotografar, tenha certeza de qual é a mensagem que você quer transmitir. Em seguida, olhe ao redor e observe que elementos ou fundos podem melhorar ou prejudicar a qualidade da sua mensagem. Muitas vezes, um simples deslocamento, rotação ou aproximação do sujeito muda completamente a qualidade da sua foto. Além disso, se a lente da sua câmera permitir zoom, você pode usá-lo para incluir ou excluir elementos da composição da foto.

Lembre-se disto: preencha a sua foto apenas com aquilo que é realmente importante para sua mensagem (fill the frame!).

Se o tema é o macaco, a foto está poluída com vários outros elementos.

Aqui nós damos mais foco ao macaco, mas a foto ainda está um pouco poluída.

Aqui o macaco tem todo o destaque na foto, embora uma simples mudança no ângulo pudesse também retirar o elefante completamente da imagem.
E você!? Tem alguma dica ou experiência relacionada com composição de fotos? Deixe o seu comentário!

Na próxima postagem, discutiremos sobre foco. Não perca a oportunidade de discutir a arte de fotografar! Até lá!

O que é fotografar?


Olá! Essa é a primeira postagem do @BlogLuzVisivel! E, para começar, escrevo um pouco sobre o que é fotografia e quais são os principais conceitos e mitos relacionados ao tema.

Mas antes de entrar no assunto, gostaria de esclarecer dois pontos que considero essenciais para uma boa leitura deste blog. Primeiro, este não é um blog técnico ou científico, mas sim um espaço aberto para discutirmos e apreciarmos a arte de fotografar. Portanto, não espere encontrar aqui nenhuma verdade absoluta. Mesmo porque a única verdade absoluta é a Palavra de Deus. Segundo, como eu já mencionei, fotografar é uma arte. E, como arte, não existe certo ou errado na fotografia. Muito menos regras a serem seguidas! No máximo, existem técnicas de fotografia que são mais apreciadas ou que são interessantes para dar um determinado apelo a sua foto. E eu espero que possamos discutir muitas dessas técnicas aqui, no @BlogLuzVisivel!

Dito isto, vou lhe dar a minha concepção de fotografia: fotografar é a arte de registrar uma parte da luz visível refletida por seres vivos e coisas em momentos singulares. Nesta concepção, é importante observar alguns aspectos importantes.

O primeiro aspeco é que em uma foto não se registra toda a luz refletida por um ser ou coisa, mas apenas parte dela. Isto porque a foto é registrada a partir de uma posição específica em relação ao sujeito (ser ou coisa que se quer registrar) e, assim, apenas a luz refletida que incide sobre esse local específico pode ser capturada. Além disso, a luz registrada é apenas aquela que pode ser vista pelo olho humano, ou seja, ondas eletromagnéticas com frequências entre 400THz e 750THz e comprimentos de onda entre 400nm e 700nm. Isto exclui as luzes infravermelha e ultravioleta. Por fim, como a luz é registrada por um sensor ou um filme que possui dimensões finitas, isto também limita a porção da luz refletida que pode ser capturada. O que tudo isto quer dizer? Isto quer dizer que você precisa escolher qual parte da luz visível refletida você quer capturar na sua foto. E isto se chama composição da foto - um assunto que discutiremos em breve!

O segundo aspecto importante dessa concepção é que fotografar é registrar um momento único. Embora você possa registrar um objeto específico exatamente na mesma posição, a partir do mesmo ângulo e sob a mesma luz várias vezes, cada registro é um momento singular daquele objeto, naquela posição, a partir daquele ângulo e sob aquela luz. Isto também caracteriza uma foto e a diferencia, por exemplo, de um vídeo, que é uma composição de sucessivas fotos em sequência.

Composição simples.

Momento único.

Se você gostou ou não gostou, deixe seu comentário abaixo!

Na próxima postagem, discutiremos um pouco sobre composição da foto. Até lá!