17 de julho de 2013

O que eu não sabia sobre o flash - parte 2

A grande dúvida que provavelmente ficou martelando sua cabeça desde o nosso último artigo há uma semana é: como faço para aumentar a exposição da foto quando uso o flash em modo automático (TTL) e como luz principal? No último artigo, que é a base teórica para o que vamos conhecer hoje, explicamos que os parâmetros tradicionais de exposição (velocidade do obturador, abertura e ISO) podem não ter a influência esperada. Isto porque, em modo automático, a potência do flash é ajustada de tal forma a manter um nível considerado ideal pela câmera para aquela cena. Ou seja, ao alterar abertura e ISO, por exemplo, a potência do flash é ajustada para compensar a alteração e manter a exposição no mesmo nível ideal. Assim, nenhuma alteração na exposição é observada ao ajustar esses parâmetros. Então, como podemos fazer?

1. Flash Exposure Compensation é a salvação

Para realizar uma alteração na exposição da foto usando o flash em modo automático e como luz principal é preciso utilizar a função Compensação de Exposição do Flash (Flash Exposure Compensation - FEC). Esta função realiza o ajuste da potência do flash de acordo com a preferência do fotógrafo. Basicamente, o fotógrafo ajusta quanto de potência a mais ou a menos ele quer do flash. Essa configuração, em geral, permite ajustes entre -2 stops (1/4 da potência ideal) a +2 stops (4 vezes a potência ideal) em intervalos de 1/3 de stop. Dessa forma, se, pela leitura da câmera, a potência ideal do flash para uma dada cena for "x" e o FEC estiver configurado para +1 stop, a potência final será de "2x", duplicando a quantidade de luz na cena e, consequentemente, aumentando a exposição da foto. Configurando-se o FEC para -1 stop, a situação é inversa, ou seja, a quantidade de luz é reduzida pela metade, diminuindo a exposição da foto.

Foto registrada com flash automático e sem FEC. Exposição: 1/200s f/5,6 ISO 200.

Foto registrada com flash automático e com FEC em +1 stop. Exposição: 1/200s f/5,6 ISO 200.

Foto registrada com flash automático e com FEC em -1 stop. Exposição: 1/200s f/5,6 ISO 200.

Diferentemente dos parâmetros de exposição tradicionais (obturador, abertura e ISO), o FEC não altera a quantidade de luz ambiente captada pela sensor, mas apenas a quantidade de luz emitida pelo flash. Desta forma, qualquer alteração no FEC modifica a relação entre luz ambiente e luz do flash e pode ser claramente observada na exposição final da foto.

2. O modo de exposição da câmera influencia o uso do flash

Nesse sentido, é importante saber também que o modo de exposição da câmera tem grande influência na relação entre a quantidade de luz ambiente e a quantidade de luz do flash. Por exemplo, no modo de exposição Automático (A), a câmera só dispara o flash quando a quantidade de luz extra (luz do flash) necessária for pelo menos igual à quantidade de luz ambiente captada na cena. Ou seja, neste modo de exposição, o flash é utilizado prioritariamente como luz principal. Já no modo Programa (P), o flash pode ser utilizado como luz principal (mais forte do que a luz ambiente, caso esta seja muito fraca) ou como luz de preenchimento (mais fraca do que a luz ambiente, caso esta seja considerável). Nos modos Prioridade de Abertura (Av) e Prioridade de Obturador (Tv), o flash é utilizado prioritariamente como luz de preenchimento (mais fraca do que a luz ambiente). E no modo Manual (M), assim como no modo Programa (P), o flash pode ser utilizado como luz principal ou de preenchimento, de acordo com a necessidade.

3. A medição da potência do flash pode resultar em uma foto subexposta ou superexposta

Muito bem! Para dominar o básico do uso do flash, só precisamos de mais uma informação: como é feita a medição da potência ideal do flash para uma dada cena? Já vimos no artigo anterior desta série que esta medição é realizada através de um pré-flash disparado no momento em que se pressiona completamente o botão de registrar foto, mas antes do obturador se abrir e expor o sensor. Mas que parte da cena é avaliada a partir desse pré-flash? Toda a cena ou apenas uma parte dela?

A resposta é: apenas o centro da imagem é avaliado para definir a potência do flash. E o mais interessante é que isto independe do tipo de medição de exposição (spot, center-weighted, evaluative, matrix) configurado na câmera. Ou seja, não importa se a leitura da exposição realizada normalmente pela câmera leva em consideração toda a cena ou apenas parte dela; para definir a potência do flash, apenas o centro da imagem é considerado como referência.

Aí vem a próxima dúvida: e se o tema da minha foto não estiver localizado no centro da imagem (o que, em geral, é verdade!)? Minha foto pode ficar subexposta ou superexposta? Bem... estas são cenas do próximo capítulo! Responderemos esta dúvida e esclarecemos outras questões no próximo artigo desse estudo, daqui a uma semana. Não perca!!

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